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Câncer de próstata

CÂNCER DE PRÓSTATA | Sintomas e tratamento

O câncer da próstata é o tumor maligno mais comum do sexo masculino (excetuando-se os cânceres de pele) e o segundo que mais mortes causa, perdendo apenas para o câncer de pulmão.

Celulite

CELULITE | Causas e Tratamento

A celulite, aquelas indesejadas irregularidades na pele que proporcionam uma aparência semelhante a casca de laranja, recebe o nome em medicina de hidrolipodistrofia ginóide.

Mioma

MIOMA UTERINO | Sintomas, causas e tratamento

O mioma é um tumor benigno do útero, ou seja, uma lesão que não é câncer e nem apresenta risco de se transformar em um. O útero é um órgão majoritariamente composto por músculos.

Obesidade

TRATAMENTO DA OBESIDADE | Mudanças de hábitos de vida

A obesidade é uma das maiores epidemias do mundo, apresentando crescimento constante nas últimas décadas. Este é o segundo texto da série sobre obesidade, onde vamos abordar as principais mudanças de hábitos de vida.

Calvície

CALVÍCIE | QUEDA DE CABELOS | Causas e tratamento

A queda de cabelo, conhecida como calvície (ou calvíce), recebe em medicina o nome de alopécia androgênica. Alopécia significa queda de cabelo, e androgênica se refere a influência dos hormônio masculinos no processo.

HIPERTENSÃO ARTERIAL | Sintomas e tratamento

A hipertensão arterial é uma das doenças mais prelevantes no mundo, acometendo cerca de um terço da população adulta. Nas últimas décadas o número de hipertensos tem aumentado progressivamente devido a fatores como maior expectativa de vida, maior incidência de obesidade, sedentarismo e maus hábitos alimentares. Neste texto abordaremos o diagnóstico, as complicações e os sintomas da hipertensão arterial, conhecida popularmente como pressão alta.

Este é o primeiro texto da nossa série sobre hipertensão arterial, composta também pelos seguintes temas:

- CAUSAS DE HIPERTENSÃO ARTERIAL (PRESSÃO ALTA)
- TRATAMENTO DA HIPERTENSÃO | Captopril, Enalapril, Losartan
- TRATAMENTO DA HIPERTENSÃO | Nifedipina, Adalat, Amlodipina...
- HIPERTENSÃO ARTERIAL DE DIFÍCIL CONTROLE
- EFEITOS DO SAL NA PRESSÃO ARTERIAL 
- ECLÂMPSIA | PRÉ-ECLÂMPSIA | Sintomas e tratamento

Sintomas da hipertensão arterial

Um dos grandes problemas da hipertensão arterial é o fato desta ser assintomática até fases avançadas. Não existe um sintoma típico que possa servir de alarme para estimular a procura por um médico.

Achar que é possível estimar se a pressão arterial está alta ou normal baseado na presença ou na ausência de sintomas, como dor de cabeça, cansaço, dor no pescoço, dor nos olhos, sensação de peso nas pernas ou palpitações, é um erro muito comum. Um indivíduo que não costuma medir sua pressão arterial simplesmente porque não tem nenhum sintoma, pode muito bem ser hipertenso e não saber. Por outro lado, se o paciente é sabidamente hipertenso, mas também não mede a pressão arterial periodicamente, pode ter a falsa impressão de a ter controlada. Não existe nenhuma maneira de avaliar a pressão arterial sem que se faça a aferição da mesma através de aparelhos específicos, chamados popularmente de "aparelhos de pressão".

O fato de algumas pessoas terem dor de cabeça ou mal estar quando apresentam pressões arteriais muito elevadas não significa que estes sintomas sirvam de parâmetro. Estas mesmas pessoas podem ter picos de hipertensão assintomáticos e não se darem conta disso. É bom salientar que a dor aumenta a pressão arterial, sendo difícil saber nestes casos se a pressão subiu pela dor de cabeça ou a dor de cabeça surgiu pela pressão alta.

Com que frequência devemos medir a pressão arterial?

Todo indivíduo adulto deve pelo menos uma vez a cada um ou dois anos medir sua pressão arterial. Se o paciente for obeso, fumante, diabético ou se tiver história familiar de hipertensão arterial, a pressão deve ser medida com uma periodicidade maior, cerca de duas vezes por ano.

Já os pacientes sabidamente hipertensos devem medir a pressão arterial pelo menos uma vez por semana para saber se a hipertensão está bem controlada. Hoje em dia já existem aparelhos de medir a pressão arterial automatizados, que podem ser adquiridos pelos pacientes para aferição da pressão arterial em casa.

Diagnóstico da hipertensão arterial

Um erro comum no diagnóstico da hipertensão é achar que o paciente é hipertenso baseado apenas em uma aferição isolada da pressão arterial. Um paciente hipertenso pode ter momentos do dia em que a pressão esteja dentro ou próximo da faixa de normalidade, assim como uma pessoa sem hipertensão pode apresentar elevações pontuais de pressão arterial, devido a fatores como estresse e esforço físico. Portanto, não se faz diagnóstico, nem se descarta hipertensão, baseado em apenas uma única medida.

Vários fatores podem alterar a pressão arterial pontualmente, entre eles, estresse, esforço físico, uso de bebidas alcoólicas, cigarro, etc. A maioria das pessoas só procura medir sua pressão após eventos de estresse emocional ou dor de cabeça, situações que por si só podem aumentar os níveis tensionais.

Para se dar o diagnóstico de hipertensão arterial são necessárias de três a seis aferições elevadas, realizadas em dias diferentes, com um intervalo maior que um mês entre a primeira e a última aferição. Deste modo, minimiza-se os fatores confusionais externos. O paciente considerado hipertenso é aquele que apresenta a sua pressão arterial elevada frequentemente e durante vários períodos do dia.

O que é o M.A.P.A?

Hipertensão arterialQuando após algumas aferições da pressão ainda há dúvidas se o paciente é realmente hipertenso ou apresenta apenas pressão alta por ficar nervoso durante a medição da pressão arterial, o ideal é solicitar um exame chamado M.A.P.A (Monitorização Ambulatorial da Pressão Arterial). Este exame é basicamente um aparelho de pressão que fica no braço do paciente durante 24h, aferindo e registrando seus valores da pressão arterial diversas vezes por dia, em situações diárias comuns, como dormir, comer, trabalhar, etc.

Após 24h de aferições, o aparelho é entregue ao médico que faz a interpretação dos registros. Pessoas com mais de 50% das aferições elevadas são consideradas hipertensas. Entre 20% e 40% das medições elevadas, são pessoas com grande risco de desenvolver hipertensão arterial, o que já indica mudanças nos hábitos de vida e de alimentação. Pessoas normais apresentam a pressão controlada por mais de 80% do dia.

O M.A.P.A pode ser usado para se fazer o diagnóstico de hipertensão arterial nos casos duvidosos mas também para se ter uma ideia da efetividade do anti-hipertensivos naqueles pacientes já sabidamente hipertensos e em tratamento. Se o paciente é hipertenso, está a tomar medicamentos e apresenta ao M.A.P.A pressões altas ao longo do dia, isto é um forte indício de que o atual tratamento proposto não está sendo eficaz.

Critérios para hipertensão arterial

A definição mais aceita hoje em dia sobre hipertensão é a seguinte:

Normotensos: pressões menores ou igual a 120/80 mmHg
Pré-hipertensos: Pressões entre 121/81 - 139/89 mmHg
Hipertensos grau I : Pressões entre 140/90 - 159/99 mmHg
Hipertensos grau II: Pressões maiores ou iguais a 160/100 mmHg

Hipertensão do jaleco branco (bata branca)

Dá-se o nome de hipertensão arterial do jaleco branco quando encontramos pacientes que só apresentam pressão alta durante as consultas médicas. São pessoas que ficam ansiosas na presença do médico e a pressão sobe pontualmente. Em casa, fora das consultas, apresentam a pressão arterial na faixa da normalidade. Às vezes é difícil diferenciá-las dos hipertensos verdadeiros. Em geral é preciso realizar o M.A.P.A para se ter certeza.

A hipertensão do jaleco branco não é hipertensão propriamente dita, mas acomete pessoas que apresentam maior tendência de desenvolvê-la, sendo um fator de risco para hipertensão real. Estes pacientes têm indicação para mudanças nos hábitos de vida visando impedir a progressão para a doença estabelecida.

Consequências da hipertensão

A hipertensão está associada a diversas doenças graves como:

- Insuficiência cardíaca (leia: INSUFICIÊNCIA CARDÍACA - CAUSAS E SINTOMAS)
- Infarto do miocárdio (leia: SINTOMAS DO INFARTO AGUDO DO MIOCÁRDIO E ANGINA)
- Arritmias cardíacas (leia: PALPITAÇÕES, TAQUICARDIA E ARRITMIAS CARDÍACAS)
- Morte súbita
- Aneurismas (leia: O QUE É UM ANEURISMA ?)
- Perda da visão (retinopatia hipertensiva)
- Insuficiência renal crônica (leia: INSUFICIÊNCIA RENAL CRÔNICA - SINTOMAS)
- AVC isquêmico e hemorrágico (leia: ENTENDA O AVC - ACIDENTE VASCULAR CEREBRAL)
- Demência por micro infartos cerebrais.
- Arteriosclerose

A hipertensão arterial raramente tem cura e o objetivo do tratamento é evitar que órgãos como coração, olhos, cérebro e rins, chamados de órgãos alvo, sofram lesões que causem as doenças descritas acima.

Como já mencionei, as lesões iniciais da hipertensão arterial são assintomáticas, porém, existem exames que podem detectá-las precocemente.

HIPERTENSÃO E RINS

Uma manifestação precoce de lesão renal pela pressão alta é a presença de proteínas na urina, chamada proteinúria (leia: PROTEINÚRIA, URINA ESPUMOSA E SÍNDROME NEFRÓTICA ). Essas proteínas podem ser detectadas facilmente através de um exame de urina simples chamado de E.A.S (leia: ENTENDA SEU EXAME DE URINA). Pequenas quantidades de proteínas são assintomáticas. Lesões renais avançadas levam a grandes proteinúrias, que se manifestam como uma grande formação de espuma na urina (tipo colarinho de chopp). Outro sinal de doença avançada é a elevação da creatinina sanguínea (leia: CREATININA E UREIA).

A pressão alta, se não tratada, pode a longo prazo levar à insuficiência renal terminal e necessidade de hemodiálise.

HIPERTENSÃO E OLHOS

A hipertensão arterial leva à lesão dos vasos que irrigam os olhos causando perda progressiva da visão. Um exame de fundo de olho pode revelar lesões precoces que ainda não causam sintomas. O exame de fundo de olho aquele exame simples em que o médico dilata a nossa pupila e depois observa o olho com uma lanterna especial
(leia: FUNDO DE OLHO | Oftalmoscopia).

Comparem as duas fotos abaixo de um exame de fundo de olho. A primeira é de um olho normal. O segundo é um olho com retinopatia hipertensiva avançada. As manchas vermelhas arredondadas são hemorragias e as manchas claras são pus. Reparem na deformidade dos vasos.

Fundo de olho normalFundo de olho - hipertensão arterial

HIPERTENSÃO E CORAÇÃO

O coração é talvez o órgão que mais sofra com a hipertensão. A pressão arterial elevada faz com o ele tenha que bombear o sangue com mais força para vencer essa resistência. O coração é um músculo e como tal se hipertrofia (aumenta a massa muscular) quando submetido a esforços cronicamente. Um coração com massa muscular aumentada apresenta um espaço menor na sua cavidade para receber sangue. Esta diminuição no espaço para o sangue dentro do coração causa a chamada disfunção diastólica.

A hipertrofia do ventrículo esquerdo e a disfunção diastólica são os sinais mais precoces de estresse cardíaco pela hipertensão. Podem ser detectados no eletrocardiograma, mas são mais facilmente vistos no ecocardiograma.

Como um elástico que durante muito tempo foi esticado e acaba por perder sua elasticidade, ficando frouxo, o coração depois de anos de estresse pela hipertensão deixa de hipertrofiar e começa a dilatar-se, perdendo a capacidade de bombear o sangue. A esta fase dá-se o nome de insuficiência cardíaca (leia: INSUFICIÊNCIA CARDÍACA - CAUSAS E SINTOMAS).

A hipertensão também aumenta o risco de doença coronariana, estando os pacientes hipertensos mal controlados sob maior risco de infarto do miocárdio (leia. INFARTO DO MIOCÁRDIO | Causas e prevenção).

HIPERTENSÃO E CÉREBRO

Um dos mais importantes fatores de risco para AVC (derrame cerebral) é hipertensão arterial (leia: AVC (acidente vascular cerebral)).

Muitas vezes os infartos cerebrais são pequenos e não causam grandes sequelas neurológicas. Conforme o tempo passa e hipertensão não é controlada, essas pequenas lesões vão se multiplicando, sendo responsáveis pela morte de milhares de neurônios. O paciente começa a apresentar um quadro de progressiva perda das capacidades intelectuais, que costuma passar despercebida pela família nas fases iniciais, mas que ao final de vários anos leva a um quadro chamado de demência multi-infarto ou demência vascular.

Na maioria das vezes, estas lesões de órgãos importantes causadas pela hipertensão arterial mal controlada podem ser revertidas se tratadas a tempo. Mas para isso é necessária a conscientização de que a hipertensão deve ser tratada antes dos sintomas das lesões destes órgãos aparecerem, e não depois.

Os principais fatores de risco para hipertensão arterial são:

- Raça negra
- Obesidade
- Elevado consumo de sal (leia: SAL E HIPERTENSÃO)
- Consumo de álcool (PERIGOS DO CONSUMO DE ÁLCOOL E DO ALCOOLISMO)
- Sedentarismo
- Colesterol alto
- Apneia obstrutiva do sono
- Tabagismo
- Diabetes Mellitus (Leia: DIABETES | Diagnóstico e sintomas)

Hipertensão maligna e urgência hipertensiva

A hipertensão maligna é uma emergência médica e ocorre quando há um aumento súbito dos níveis da pressão arterial, causando lesão aguda de órgãos nobres como rins, coração, cérebro e olhos. A hipertensão maligna normalmente se apresenta com valores de pressão sistólica acima de 220 mmHg ou diastólica acima de 120 mmHg

As manifestações mais comuns são insuficiência renal aguda, hemorragias da retina, edema da papila do olho, insuficiência cardíaca aguda e encefalopatia (alterações neurológicas pela pressão elevada).

Nem todo paciente com níveis elevados de pressão arterial apresenta hipertensão maligna. Para que isso ocorra é preciso, além da hipertensão grave, haver sintomas e lesões agudas de órgãos nobres. Quando os níveis tensionais estão muito elevados, normalmente acima de 180 x 120 mmHg, mas não há sintomas ou lesões agudas de órgãos, chamamos de urgência hipertensiva.

A hipertensão maligna é indicação de internação e redução rápida dos valores da pressão. Na urgência hipertensiva, não há necessidade de hospitalização e a pressão pode ser reduzida gradativamente ao longo de 24-48 horas.

Tratamento da hipertensão arterial

Uma vez feito o diagnóstico, todos os doentes devem se submeter a mudanças de estilo de vida antes de se iniciar terapia com medicamentos. As principais são:

- Redução de peso
- Iniciar exercícios físicos
- Abandonar cigarro (leia: MALEFÍCIOS DO FUMO)
- Reduzir o consumo de álcool (leia: MALEFÍCIOS DO ÁLCOOL)
- Reduzir consumo de sal
- Reduzir consumo de gordura saturada (leia: COLESTEROL BOM (HDL) E COLESTEROL RUIM (LDL))
- Aumentar consumo de frutas e vegetais

A redução da pressão com essas mudanças costuma ser pequena e dificilmente uma pessoa com níveis pressóricos muito altos (maior que 160/100 mmHg) atinge o controle sem a ajuda dos remédios. Todavia, nas hipertensões leves, há casos em que apenas com controle do peso, dieta apropriada e prática regular de exercícios consegue-se o controle da pressão arterial. O problema é que a maioria dos pacientes não aceita mudanças nos hábitos de vida e acabam tendo que tomar medicamentos para controlar a pressão.

Aqueles doentes que já chegam ao médico com pressão alta e sinais de lesão de algum órgão alvo devem iniciar tratamento medicamentoso logo, uma vez que o fato indica hipertensão de longa data. Obviamente, as mudanças de estilo de vida também estão indicadas neste grupo.

Apenas pacientes com sinais de lesão de órgão alvo, insuficiência renal crônica (leia: VOCÊ SABE O QUE É CREATININA ?), diabetes ou com doenças cardíacas, devem iniciar o tratamento com drogas imediatamente.

Remédios para hipertensão arterial (anti-hipertensivos)

Vou descrever os principais medicamentos usados para controlar a pressão alta. Não use esse texto para se automedicar (até porque não descrevei as doses), mas sim para poder discutir com seu médico a droga mais indicada no seu caso.


São inúmeras as drogas usadas no tratamento da hipertensão arterial, porém quatro classes são classificadas de drogas de primeira linha. É importante destacar que muitos pacientes precisam de mais de um medicamento para controlar sua pressão arterial. Algumas pessoas têm hipertensão de difícil controle e, às vezes, precisam de até seis drogas anti-hipertensivas. O tratamento dos casos de hipertensão arterial de difícil controle será discutido em um texto à parte: HIPERTENSÃO ARTERIAL DE DIFÍCIL CONTROLE.

1.) Diuréticos tiazídicos (leia: DIURÉTICOS - Furosemida, Hidroclorotiazida, Indapamida)

Ex: Hidroclorotiazida, Indapamida e Clortalidona

São drogas baratas e com bons resultados. Se não forem a primeira opção, devem ser na pior das hipóteses a segunda. Essa classe de diuréticos é uma ótima primeira opção como anti-hipertensivos para negros e idosos.

Doses muito elevadas podem atrapalhar o controle da glicemia em diabéticos. Diuréticos aumentam o ácido úrico e devem ser evitados em quem tem gota (leia: GOTA e ÁCIDO ÚRICO).

O Lasix (furosemida) é um diurético de outra classe e não está indicado como primeira linha no tratamento da hipertensão, exceto em doentes com insuficiência cardíaca ou insuficientes renais crônicos.

2.) Inibidores da ECA (IECA) e Antagonistas dos receptores da angiotensina 2 (ARA2) (leia: TRATAMENTO DA HIPERTENSÃO - Captopril, Enalapril, Losartan...)

Ex: Captopril, enalapril, ramipril, lisinopril, losartan, candesartana, olmesartana

Também excelentes drogas para o controle da pressão arterial. São indicados principalmente em jovens, pessoas com doença cardiovascular e insuficiente renais crônicos , principalmente se já houver proteinúria.

Funcionam mal em negros. Podem elevar o potássio sanguíneo e causar alergias em alguns doentes.

3.) Inibidores do canal de cálcio (leia: TRATAMENTO DA HIPERTENSÃO | Nifedipina, Adalat, Amlodipina...)

Ex: Nifedipina e Amlodipina

Melhor escolha para negros e muito bom para idosos.

É uma classe de hipertensores com forte ação, sendo um boa opção quando a pressão alta não cede com diuréticos ou IECA.

Algumas pessoas apresentam edemas (inchaços) nos membros inferiores como efeito colateral (leia: INCHAÇOS E EDEMAS ).

4.) Beta-Bloqueadores

Ex: Propranolol, Atenolol, Carvedilol, metoprolol, bisoprolol

São inferiores aos três anteriores, mas devem ser primeira escolha nos doentes com doença cardiovascular, arritmias cardíacas, enxaqueca (leia: DOR DE CABEÇA (CEFALEIA)), hipertireoidismo (leia: DOENÇAS E SINTOMAS DA TIREOIDE ) e pessoas ansiosas com tremores das mãos.

Não deve ser usado em asmáticos e pessoas com frequência cardíaca abaixo dos 60 batimentos por minuto.

Doentes com hiperplasia benigna da próstata devem usar uma outra classe chamada de Bloqueadores alfa como o Prazosin e o Doxazosin. São drogas de segunda linha que não devem ser prescritas em outros grupos.

Neste casos graves, de difícil controle, existem alternativas como hidralazina, metildopa, clonidina e minoxidil, medicamentos mais potentes, mas também com maior incidência de efeitos colaterais.

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DIARRÉIA | Sinais de gravidade

Entenda porque ocorre a diarréia. Saiba como tratá-la e quais os seus sinais de gravidade.

Diarréia é daquelas doenças que todo mundo vai ter pelo menos uma vez durante a vida. A maioria apresenta pelo menos um episódio por ano. Na verdade, diarréia não é uma doença, mas sim uma manifestação comum de várias doenças diferentes.

Tecnicamente chamamos de diarréia toda vez que evacuamos mais de 200g de fezes por dia. Ninguém precisa pesar as fezes para saber se está com diarréia ou não. Prefiro a definição que diz que diarréia é a evacuação de fezes pastosas ou liquidas efetuada mais de três vezes por dia.

Identificar diarréia é muito fácil, mas por que ela ocorre?

Bom, mais uma vez, para entender uma doença, é necessário entender o funcionamento normal do organismo, neste caso, do sistema digestivo (ou digestório).

Após ingerirmos um alimento qualquer, ele desce pelo esôfago até o estômago. O estômago tem três funções básicas: matar germes presentes nos alimentos, através do seu pH baixo (ácido), quebrar moléculas grandes em moléculas pequenas para posterior absorção em outros segmentos do trato digestivo, e armazenar comida, liberando para o duodeno os alimentos processados em velocidade constante.

Ao sair do estômago, o alimento chega ao duodeno, a primeira parte do intestino delgado. O duodeno recebe as secreções do pâncreas e da vesícula biliar.

O pâncreas libera o suco pancreático, um líquido rico em bicarbonato que ajuda a diminuir a acidez dos alimentos vindo do estômago, e também rico em enzimas que fazem parte do processo de digestão de proteínas, carboidratos e gorduras. (leia: PANCREATITE CRÔNICA E PANCREATITE AGUDA)

A vesícula biliar produz a bile que é a responsável pela coloração das fezes e pela digestão de gorduras, colesterol e algumas vitaminas (A,D,E e K)

Sistema digestivoAtenção que digestão é diferente de absorção. Digerir é o processo de quebrar compostos grandes em moléculas pequenas e absorvíveis. Primeiro se digere os alimentos para depois podermos absorvê-los.

Após o duodeno, temos o jejuno e o íleo, respectivamente 2º e 3º partes do intestino delgado. Formam a maior parte do nosso sistema digestivo, podendo chegar a 6 metros de comprimento. Esta é a região onde ocorre a maior parte da absorção dos alimentos digeridos. O intestino delgado é responsável pela absorção de mais ou menos 1 litro de água.

Intestino grossoAo sair do intestino delgado, todo material que não foi digerido e absorvido chega ao cólon(intestino grosso). O cólon tem aproximadamente 1,5 metros e é colonizado por mais de 700 espécies de bactérias, que participam da digestão dos elementos ainda não digeridos, nomeadamente fibras e polissacarídeos (carboidratos com moléculas complexas). Essa digestão realizada pelas bactérias é que causa os gases intestinais ( leia: GASES INTESTINAIS: O que é o pum ? O que é o arroto? ). Porém, a função básica do intestino grosso é reabsorver toda a água presente no conteúdo alimentar e nas secreções ao longo do trato digestivo, formando fezes sólidas ao final deste processo. O cólon reabsorve até 19 litros de água por dia.

Tudo o que não foi digerido ou absorvido ao final do trânsito intestinal, sai nas fezes.

Bom, agora que já sabemos o funcionamento básico dos sistema digestivo, fica mais fácil entender as várias causas de diarréia.

Principais causas de diarréia:

1.) Intoxicação alimentar

Mais de 200 tipos de germes entre vírus, bactérias e parasitas pedem causar quadros de diarréia por intoxicação alimentar. A diarréia pode ser causada pelo próprio germe ou por toxinas produzidas pelo mesmo. Quanto maior a concentração de toxinas ou micróbios, maior é a chance destes vencerem a acidez do estômago e alcançarem os intestinos. Algumas toxinas após sua produção não são destruídas no cozimento, por isso, o armazenamento de alimentos deve ser feito de modo correto antes e depois da preparação.

A intoxicação alimentar se apresenta de três maneiras diferentes.

1.1) Vômitos como principal manifestação

O início súbito de náuseas e vômitos, podendo ou não ser acompanhado de diarréia, menos de 12 horas após ingestão de alimentos contaminados (em geral menos de 6 horas), costuma indicar intoxicação por enzimas pré-formadas. Normalmente causado por toxinas das bactérias Staphylococcus aureus (leia: O QUE É Estafilococos aureus? ) e Bacillus cereus.

Outra causa de intoxicação alimentar com vômitos é um vírus chamado Norovírus. Esse vírus pode ser transmitido através de alimentos contaminados ou de pessoa para pessoa através de aerossóis como um resfriado.

As toxinas agem principalmente no estômago, irritando sua mucosa e causando os vômitos

Nos três casos acima a doença é autolimitada com 3 a 4 dias de duração e não necessita de tratamento específico além da hidratação e sintomáticos.

1.2) Diarreia aquosa como principal manifestação

Normalmente são causados pela lesão da mucosa do intestino delgado pela própria bactéria ou por toxinas produzidas somente após a ingestão do germe. Neste caso os sintomas surgem somente após 24-48h da ingestão do alimento. Vários germes como Cyclospora cayetanensis, Escherichia coli e Clostridium podem ser a causa. Infecções virais também são causas de diarreia aquosa. Pode haver febre baixa (menor que 38ºC).

Geralmente quando várias pessoas com contato social (trabalho, escola, etc.) desenvolvem diarréia mas não apresentam nenhum alimento suspeito em comum, costuma tratar-se de infecções virais, que se transmitem do mesmo modo que os vírus da gripe e do resfriado (leia: DIFERENÇAS ENTRE GRIPE E RESFRIADO )

As bactérias e toxinas agem na mucosa do intestino delgado, aumentado suas secreções e acelerando a velocidade com que os alimentos passam. Desta maneira o delgado não consegue digerir e absorver os alimentos que chegam então, em grande quantidade ao cólon. O volume de líquidos e nutrientes que chega ao intestino grosso é muito grande, impedindo sua absorção.

Mais uma vez o quadro costuma ser autolimitado com duração de 3 a 4 dias. Não é necessário nenhum tipo de tratamento específico.

A cólera é a infecção por uma bactéria chamada Vibrio cholerae que causa uma severa diarréia aquosa. Os pacientes podem ter mais de 20 evacuações por dia e chegam a perder até 1L de água por hora. Nos casos mais graves é necessário internação para hidratação por via venosa.

1.3) Diarréia sanguinolenta ou com pus e muco

A diarréia que apresenta sangue, pus, muco ou febre alta associada, deve ser avaliada por um médico. Esse quadro é chamado de diarréia inflamatória e pode levar a sepse ou outras complicações graves (leia: O QUE SIGNIFICA E POR QUE TEMOS FEBRE ? e O QUE É SEPSE / CHOQUE SÉPTICO ? )

A diarréia inflamatória é causada por bactérias como Salmonella, Shigella, Campylobacter e Escherichia coli enterohemorrágica e acometem a mucosa do intestino grosso. Pode ser necessário o tratamento com antibióticos, porém, em caso de infecção por Escherichia coli o mesmo pode piorar a diarréia e favorecer o aparecimento de um grave doença chamada de síndrome hemolítica urêmica (leia. BACTÉRIA Escherichia coli | E.coli). Por isso, deve-se sempre realizar cultura das fezes para identificar o agente causador e indicar a necessidade ou não de antibióticos. Nunca se auto medique com antibióticos em caso de diarréias.

O uso mal indicado de antibióticos além de causar complicações, pode perpetuar a diarréia por impedir que a flora bacteriana original do intestino volte a crescer. Sem a flora natural não há digestão de alimentos no cólon e a diarréia não cessa.

Outro perigo dos antibióticos é a infecção pelo Clostridium difficile, uma bactéria que se aproveita da ausência da flora bacteriana normal para causar um diarreia inflamatória grave.

Infecções pelo Campylobacter estão associadas a Síndrome de Guillain-Barré (Leia: O QUE É A SÍNDROME DE GUILLAIN-BARRÉ ? )

2.) Diarréia crônica

Toda diarréia com mais de 2 semanas de evolução deve levantar suspeitas sobre alguma doença do trato intestinal que não tenha origem em um intoxicação alimentar. Diarréias com mais de 1 mês de evolução são considerada diarréias crônicas e devem sempre ser investigadas.

As principias causas de diarréia crônica são as doenças inflamatórias intestinais como a Doença de Crohn e a retocolite ulcerativa (leia: ENTENDA A DOENÇA DE CROHN E A RETOCOLITE ULCERATIVA), SIDA (AIDS), infecção por amebas e outros parasitas (leia: VERMES E EXAME PARASITOLÓGICO DE FEZES), tumores e hipertireoidismo (leia: DOENÇAS E SINTOMAS DA TIREÓIDE )

2.1) Síndrome do intestino irritável

A síndrome do intestino irritável é uma causa comum de diarréia intermitente e dor abdominal. Não existe nenhuma doença orgânica que justifique o quadro. Normalmente se apresenta com diarréia e cólicas associado a períodos de estresse emocional. Alguns doentes alternam diarréia com constipação intestinal. Outros apresentam pequenas quantidade de muco nas fezes (nunca sangue). Excesso de gases intestinais também é frequente.

A síndrome do intestino irritável é uma doença benigna e pode apresentar melhora com algumas mudanças na dieta e no estilo de vida.

2.2) Síndrome de má absorção

Existem algumas doenças dos intestinos que impedem a absorção de determinados nutrientes, levando a diarréia.

Um exemplo comum é a intolerância a lactose (derivados de leite). Ocorre devido a uma deficiência na produção da lactase (enzima que digere a lactose) no intestino delgado.

Outro exemplo é a pancreatite crônica, onde a ausência do suco pancreático impede a digestão de vários nutrientes ingeridos.

A doença celíaca ocorre por incapacidade de absorver glúten, uma proteína presente no trigo e e em vários cereais.

A síndrome de má absorção também pode ocorrer por parasitoses, como na giardíase (leia: GIARDIA LAMBLIA | Sintomas e Tratamento)

Quando então procurar um médico devido a diarréia ?
  • Febre alta, normalmente maior que 38,5ºC
  • Diarréia severa que não melhora após 48-72h
  • Desidratação
  • Diarréia com sangue
  • Diarréia por mais de 2 semanas
  • Idosos e imunossuprimidos
Se não houver os sinais de gravidade acima, a diarréia deve ser tratada com ingestão generosa de líquidos. Quanto mais intensa for a diarréia, maior deverá ser a reposição de água. Já existem soluções prontas para hidratação à venda nas farmácias. Uma opção é o soro caseiro que pode ser feito a partir de 1 colher de chá de sal e uma colher de sobremesa de açúcar, diluídos em 1 litro de água fervida ou filtrada.

Deve-se evitar a todo custo o uso de medicamentos para interromper a diarréia. Se há uma bactéria ou toxina no trato intestinal, ela deve ser expulsa do corpo. A suspensão da evacuação em doentes infectados pode levar a sepse grave.

Remédios como o famoso Imosec® (Loperamida) só devem ser usados sob prescrição médica.

Deve-se também evitar alimentos gordurosos ou a base de leite, pois durante uma infecção intestinal a mucosa do intestino delgado está muito inflamada e não consegue absorver nutrientes complexos.

Para diminuir a contaminação, deve-se sempre lavar as mãos antes de preparar alimentos ou iniciar refeições.

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INSUFICIÊNCIA CARDÍACA | Causas e sintomas

Entenda o que é insuficiência cardíaca e quais as consequências de um coração grande e fraco.

O coração é um órgão composto basicamente por músculos, sendo responsável pelo bombeamento de sangue para todos os tecidos. Pode se dizer que é o motor do nosso corpo.

O coração tem 4 câmaras: o ventrículo e o átrio direito; o ventrículo e o átrio esquerdo. Os ventrículos são as cavidades maiores e mais musculosas, sendo as mais importante no bombeamento do sangue.

Para entender o que é a insuficiência cardíaca, é preciso primeiro saber como funciona o coração.

Vejamos um simples e rápido resumo. Acompanhe o texto e o desenho abaixo.

Os tecidos recebem o sangue de onde retiram o oxigênio. O sangue agora pobre em oxigênio volta para o coração pelas veias, chega no lado direito do coração, entra no átrio direito, depois no ventrículo direito e é finalmente bombeado para o pulmão. No pulmão o sangue volta a ficar rico em oxigênio. Esse sangue re-oxigenado vai para o lado esquerdo do coração, cai primeiro no átrio e depois no ventrículo esquerdo, de onde será bombeado de volta para os tecidos , reiniciando o ciclo.
Circulação sanguínea
Circulação cardio-pulmonar
Portanto, o coração direito é responsável pelo retorno do sangue para os pulmões e coração esquerdo pelo bombeamento de sangue para os tecidos.

A insuficiência cardíaca ocorre quando o coração não consegue mais desempenhar uma ou ambas funções eficientemente. A insuficiência cardíaca pode então ser do coração esquerdo, direito ou de ambos. Os sintomas variam de acordo com a câmara do coração acometida. Explicarei mais a frente.

Mas como então surge a insuficiência cardíaca?

Como eu já disse, o coração é composto basicamente de músculos. A principal causa de insuficiência cardíaca é a isquemia cardíaca ou o infarto do miocárdio. Infarto significa morte tecidual, que no caso do coração se refere a parte do músculo cardíaco. Logo, quanto mais extenso for o infarto, mais músculo morrerá, consequentemente, mais fraco fica o coração. Se o infarto necrosar uma grande área, o paciente morre por falência da bomba cardíaca.

Outra causa comum de insuficiência cardíaca é a hipertensão não tratada (leia: SINTOMAS E TRATAMENTO DA HIPERTENSÃO ). Quando o paciente apresenta uma pressão arterial elevada, o coração precisa fazer mais força para vencer essa resistência e distribuir o sangue pelo corpo. Como todo músculo quando exposto a um estresse, a parede dos ventrículos começa a crescer e ficar mais forte. É a hipertrofia cardíaca. O que parece algo bom, na verdade é a fase precoce de uma insuficiência cardíaca. A hipertrofia do coração que ocorre na hipertensão é diferente daquela que ocorre nos atletas que possuem o coração mais forte.

Reparem na figura abaixo que o coração hipertrofiado pela hipertensão apresenta as paredes mais grossas e consequentemente menos espaço para o ventrículo se encher de sangue. Apesar de estar mais musculoso, o coração se enche menos e por isso bombeia menos sangue a cada batida (sístole). Essa é a fase de insuficiência cardíaca diastólica, ou seja, o coração não consegue se encher na diástole, período de relaxamento do coração que ocorre entre as sístoles (contrações cardíacas).

Coração hipertrofiado e coração dilatadoSe a hipertensão não for tratada, o coração continua a sofrer até o ponto em que não consegue mais se hipertrofiar. Imaginem um elástico que você puxa o tempo todo. Uma hora ele acaba por perder sua elasticidade e fica frouxo. É mais ou menos isso que ocorre com o coração. Depois de muito tempo sofrendo estresse o músculo cardíaco começa a se estirar e o coração fica dilatado.

Temos nesse momento um músculo que tem pouca capacidade de contração e um coração que já não consegue bombear o sangue adequadamente. O órgão se torna grande e insuficiente.

Como quem manda o sangue para o corpo é o ventrículo esquerdo, ele é quem mais sofre com as pressões arteriais elevadas. Quando realizamos um ecocardiograma o primeiro sinal de sofrimento cardíaco pela hipertensão é a hipertrofia do ventrículo esquerdo ou insuficiência cardíaca diastólica. Essa é a fase da insuficiência cardíaca que ainda tem cura se tratada.

Nas radiografias abaixo, podemos ver um coração normal à esquerda e um coração insuficiente e dilatado à direita.
Insuficiência cardíaca
Outra causa comum de insuficiência cardíaca são as doenças das válvulas do coração. Sempre que uma válvula cardíaca apresenta alguma alteração, seja congênita, ou adquirida durante a vida (endocardite, febre reumática, calcificação das válvulas, etc...), o coração começa a ter dificuldades em bombear o sangue, iniciando-se o processo de dilatação semelhante ao da hipertensão.

Existem várias outras doenças que causam insuficiência cardíaca, quase todas se encaixam em um dos exemplos acima de isquemia/lesão muscular/estresse cardíaco. São elas:
Quais são os sintomas da insuficiência cardíaca ?

Os sintomas da insuficiência cardíaca dependem da câmara mais afetada e da gravidade do quadro. A disfunção do coração é na maioria das vezes um quadro progressivo e lento.

A insuficiência do ventrículo esquerdo se manifesta com sintomas da baixo débito de sangue para o corpo. O principal é a fraqueza e o cansaço aos esforços. Nas fases avançadas da insuficiência cardíaca, o paciente pode se cansar com tarefas simples como tomar banho e pentear o cabelo.

Outro sintoma típico é a falta de ar ao deitar. A incapacidade de bombear o sangue para os tecidos, causa um acúmulo do mesmo nos pulmões. É como se fosse um congestionamento. O sangue que sai dos pulmões não consegue chegar eficientemente ao coração porque esse não consegue bombear o sangue que já se encontra dentro dele. Esse lentidão no fluxo pulmonar causa extravasamento chamado de congestão pulmonar. Em casos graves desenvolve-se o edema pulmonar (leia: INCHAÇOS E EDEMAS para entender como se formam os edemas). O edema do pulmão é uma urgência médica, onde o paciente literalmente se afoga fora d'água, podendo morrer se não receber tratamento a tempo.

Quando deitamos, o sangue que está nas pernas não sofre mais a resistência da gravidade e chega mais facilmente ao coração e pulmão. Se temos um coração esquerdo insuficiente e aumentamos a quantidade de sangue que chega ao pulmão, favorecemos a congestão pulmonar. Por isso, muitos doentes com insuficiência cardíaca não toleram ficar muito tempo deitado. Alguns precisam dormir com mais de 1 travesseiro para manter sempre o tronco mais alto que o resto do corpo. Chamamos esta fase de insuficiência cardíaca congestiva.

Quando o coração esquerdo começa a não conseguir bombear o sangue eficientemente para os órgãos, os rins interpretam isso como uma queda no volume de sangue do corpo e começam a reter água e sal para tentar encher as artérias. O resultado final é um excesso de água no organismo que se traduz com o aparecimento de edemas (inchaços), principalmente nas pernas.

O baixo débito de sangue para os órgãos pode levar insuficiência renal e hepática (fígado).

Se houver um insuficiência do coração direito associado, esses edemas são ainda maiores, pois além do excesso de água, o ventrículo direito não consegue fazer com que o sangue das pernas chegue aos pulmões. Ocorre então um grande represamento de sangue nos membros inferiores e grandes inchaços. Dependendo do grau de disfunção cardíaca, pode haver edemas até a barriga, chamado de ascite (leia: O QUE É UMA ASCITE? ).

A imagem típica da insuficiência cardíaca grave é a do doente com inchaços nas pernas, cansado mesmo em repouso, com tosse e expectoração esbranquiçada (congestão pulmonar) e intolerância ao decúbito (não consegue deitar).

Corações dilatados também apresentam distúrbios na condução elétrica e são mais susceptíveis a arritmias. Uma das consequências pode ser a morte súbita por fibrilação ventricular (arritmia maligna).

O tratamento é feito com restrição de sal e água, diuréticos, anti-hipertensivos (leia: TRATAMENTO DA HIPERTENSÃO - Captopril, Enalapril, Losartan...) e medicamentos que aumentam a força cardíaca como a digoxina. Obesos devem emagrecer, fumantes têm que largar o cigarro, álcool deve ser evitado e exercícios supervisionados para reabilitação cardíaca são indicados. A pressão arterial deve ser controlada com rigor.

Nos casos terminais a única solução é o transplante cardíaco. Por isso, o melhor tratamento ainda é a prevenção.

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LIPOASPIRAÇÃO | HIDROLIPO, MINI LIPO e LIPOLIGHT

Hidrolipo, minilipo, lipolaser e lipo light são procedimentos vendidos como formas alternativas de lipoaspiração, porém, apresentam os mesmos riscos e as mesmas indicações. Saiba tudo sobre lipoaspiração e o modo correto de fazê-la.

A lipoaspiração é a cirurgia plástica mais realizada no Brasil. Em 2007 foram realizados cerca de 200.000 procedimentos deste tipo em nosso país.

A técnica foi criada pelo Cirurgião Plástico francês, Yves Gerard Illouz em 1978. Não demorou muito para a lipoaspiração aterrissar em terras tupiniquins. Em 1980, o próprio Dr. Illouz realizou a primeira lipoaspiração no Brasil, mais precisamente no Hospital Servidores do Estado, na cidade do Rio de Janeiro.

Nos seus primórdios a lipoaspiração era realizada com cânulas muito grossas, que traumatizavam muito o tecido gorduroso e frequentemente originavam irregularidades no contorno corporal. Além disso, pouco se sabia à época sobre os limites de volume aspirado seguros para o paciente.

Desde então a lipoaspiração evoluiu muito. Atualmente as cânulas são muito mais finas, minimizando a agressão cirúrgica e permitindo um trabalho mais delicado e preciso, propiciando um melhor resultado.
Hoje temos um conhecimento muito maior das repercussões de uma lipoaspiração para o organismo, permitindo o estabelecimento de limites que aumentaram enormemente a segurança do procedimento.

O Art. 9º da resolução Nº 1.711 do Conselho Federal de Medicina estabelece que “os volumes aspirados não devem ultrapassar 7% do peso corporal quando se usar a técnica infiltrativa; ou 5% quando se usar a técnica não-infiltrativa. Da mesma forma, não deve ultrapassar 40% da área corporal, seja qual for a técnica usada.”

Trocando em miúdos, uma pessoa de 60 kg só pode ter 40 % do seu corpo e 4,2 L de gordura lipoaspirados. Ou seja, aqueles que prometem lipoaspirar todo o corpo e tirar 7,8,9, 10 L de gordura ou são mentirosos ou são inconsequentes e levianos, além de descumprirem uma resolução do CFM.

Mas afinal, o que é técnica infiltrativa e técnica não-infiltrativa? Bom, técnica infiltrativa é aquela em que a lipoaspiração é precedida pela injeção, na gordura que será lipoaspirada, de uma solução composta por soro, vasoconstrictores e, às vezes, anestésicos locais. A solução injetada faz com que as células de gordura “inchem”, facilitando a lipoaspiração, e faz com que as artérias e veias se contraiam, diminuindo o sangramento cirúrgico. Devido a essas propriedades, a técnica infiltrativa é a preferida pela grande maioria dos Cirurgiões Plásticos, em detrimento da técnica não-infiltrativa, na qual, obviamente nada é injetado.

Nos últimos anos novas tecnologias vêm sendo incorporadas à lipoaspiração, tais como a utilização de cânulas que vibram em altíssimas frequências (vibrolipoaspiração), que emitem ultrassom ou raios Laser. Todas têm o intuito de facilitar o trabalho do Cirurgião Plástico, diminuir a agressão cirúrgica e permitir um melhor resultado pós-operatório. Na minha humilde opinião, nenhuma dessas novas tecnologias mostrou-se superior à lipoaspiração clássica, além de aumentarem os custos do procedimento, e me parece que este é o pensamento da maioria dos Cirurgiões Plásticos. Porém, é possível que com o seu aperfeiçoamento, essas e ou outras novas tecnologias sejam incorporadas futuramente à lipoaspiração pela maioria dos Cirurgiões Plásticos.

Muito se engana quem pensa que a lipoaspiração é uma cirurgia feita para emagrecer. Seu objetivo é a harmonização do contorno corporal. Estas premissas estão bem explicitadas logo nos 2 primeiros artigos da Resolução Nº 1.711 do Conselho Federal de Medicina, que regulamenta a lipoaspiração:

“CONSIDERANDO o decidido em sessão plenária de 10 de Dezembro de 2003, resolve:

Art. 1º - Reconhecer a técnica de lipoaspiração como válida e consagrada dentro do arsenal da cirurgia plástica, com indicações precisas para correções do contorno corporal em relação à distribuição do tecido adiposo subcutâneo.

Art. 2º - Que as cirurgias de lipoaspiração não devem ter indicação para emagrecimento.”
Trocando em miúdos, a lipoaspiração está indicada para resolver o problema da companheira inseparável de muitas mulheres: a gordura localizada.

Porém, nem toda paciente com gordura localizada é uma candidata à lipoaspiração. O grau de flacidez da pele pode ser um fator impeditivo. A flacidez traduz a redução, ou até mesmo a perda, da elasticidade da pele. Quanto maior a flacidez menor a elasticidade. A presença das famigeradas estrias também é um forte indicador de uma pele pobre em elasticidade (leia: ESTRIAS | Tratamento e prevenção).

Mas qual a importância da elasticidade da pele na lipoaspiração? Eu lhes respondo: toda! Para melhor explicar o quão importante é a elasticidade me utilizo de um momento da vida comum a quase todas as mulheres; a gravidez. Com o desenrolar da gestação, a pele se expande progressivamente para melhor comportar o aumento do volume abdominal. Imediatamente após o parto, o volume retorna ao normal e a pele se retrai lentamente durante as semanas subsequentes para adaptar-se novamente ao volume abdominal de outrora. Aí que entra a elasticidade da pele. Quantos de vocês conhecem mulheres que após o parto nem pareciam que tiveram um filho? E as que ficam com o abdômen flácido? E as que além de flacidez ficam cheias de estrias? O que determina o grau de retração da pele é a sua elasticidade e, analogamente à gravidez, desempenha o mesmo importante papel na lipoaspiração.

Sabemos que em se tratando de lipoaspiração, atuam na retração da pele, além do grau de elasticidade, a contração cicatricial. Ao realizarmos uma lipo, ocorre a lesão do tecido gorduroso pelas cânulas. Essa lesão, como todo ferimento, cicatriza. Acontece que todo processo de cicatrização em nosso organismo evolui com uma retração dos tecidos vizinhos. Isto também é verdade na lipoaspiração, onde a cicatrização do tecido gorduroso acarretará na retração da pele, graças ao fenômeno de contração cicatricial.

Quando há flacidez pequena ou moderada, a lipoaspiração pode ser realizada, pois podemos contar com a elasticidade da pele e com a contração cicatricial. Quando a flacidez da pele é de moderada a grande, a lipo isolada deve ser evitada, sob pena de agravá-la. Nestes casos, a associação da ressecção de pele à lipoaspiração deve ser considerada.

Para saber mais sobre a lipoaspiração, leia: CIRURGIA DE LIPOASPIRAÇÃO | Técnicas, indicações e riscos.

HIDROLIPO, MINI LIPO e LIPO LIGHT

Notem que não são mencionados na resolução do CFM os termos hidrolipoaspiração, minilipoaspiração, lipoaspiração light e afins. Isso por que simplesmente não existe “hidrolipo”, não existe “mini lipo” nem "lipo light"!

A lipoaspiração é um procedimento único, que compreende as técnicas infiltrativa e não-infiltrativa, onde através de uma pressão negativa originada por um aparelho ou por seringas, a gordura é aspirada por cânulas introduzidas por pequenos cortes na pele

Para melhor explicar o motivo pelo qual os termos “hidrolipo”, “mini lipo”, "lipo light" e afins foram inventados, recorro à seguinte resolução do Conselho Federal de Medicina:

RESOLUÇÃO Nº 1.711, DE 10 DE DEZEMBRO DE 2003

Art. 1º - Reconhecer a técnica de lipoaspiração como válida e consagrada dentro do arsenal da cirurgia plástica, com indicações precisas para correções do contorno corporal em relação à distribuição do tecido adiposo subcutâneo.

Art. 3º - Que há necessidade de treinamento especifico para a sua execução, sendo indispensável a habilitação prévia em área cirúrgica geral, de modo a permitir a abordagem invasiva do método, prevenção, reconhecimento e tratamento de complicações possíveis.

Art. 5º - Que as cirurgias de lipoaspiração devem ser executadas em salas de cirurgias equipadas para atendimento de intercorrências inerentes a qualquer ato cirúrgico.
Por essa resolução ficou estabelecido que a lipoaspiração é um procedimento cirúrgico habilitado exclusivamente à Cirurgiões Plásticos, com formação prévia em Cirurgia Geral (caso de todos os Cirurgiões Plásticos membros da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica) e que só deve ser realizada em centro cirúrgico.

Pois bem, e como ficam, a partir desta resolução do CFM, os médicos de outras especialidades que, desiludidos com suas carreiras, enveredam pelo mundo da “Medicina Estética” atrás do “pote-de-ouro”, atrás do “dinheiro fácil”, após fazerem cursos de fim-de-semana? Como ficam os médicos que, para baixar os custos da lipoaspiração, realizam o procedimento no consultório? Simples! É só rebatizar a lipoaspiração! “De agora em diante nós não fazemos lipoaspiração, nós fazemos hidrolipoaspiração, fazemos minilipoaspiração, fazemos lipolight”.

A invenção dos termos “hidrolipo”, “mini lipo”, "lipo light" e outros tem um único propósito: burlar a resolução do Conselho Federal de Medicina!

E para piorar a situação a “hidrolipo”, a “minilipo” e a”lipolight” são vendidas para a população como sendo procedimentos mais modernos, que não precisam de internação e que o paciente vai do consultório direto para o trabalho. Na realidade, a lipoaspiração realizada em consultório é muito inferior. Além de infrigir uma resolução do CFM, não fornece a segurança e o ambiente necessários para a realização de um procedimento cirúrgico, o paciente não é sedado, sentindo, na melhor das hipóteses, um incômodo durante todo o procedimento e muitas vezes é mais dispendiosa financeiramente pois tem que ser feita em várias etapas, uma vez que há limites de toxicidade na utilização de anestésicos locais.

Não esqueçam que lipoaspiração é uma CIRURGIA e como tal está sujeita à complicações CIRÚRGICAS, devendo ser realizada em ambiente CIRÚRGICO . Sendo assim, se você deseja realizar uma lipoaspiração, consulte-se com um Cirurgião Plástico, certifique-se que ele é membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica e exija que a cirurgia seja realizada em um centro cirúrgico.

Esse texto é de autoria do Dr. Carlos André Meyer. Cirurgião Plástico - O Blog de Plástico

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INCHAÇOS E EDEMAS | Causas e tratamento

Entenda o que é o edema (inchaço) e por que ele ocorre.

Edema é o nome que se dá ao inchaço localizado em alguma parte do corpo. Os edemas mais conhecidos são os que ocorrem nas pernas. Mas edemas podem ocorrer em qualquer ponto. Existe edema de pulmão, edema cerebral, edema de glote, edema de língua, etc.

Vamos então entender o que é edema. Os edemas de órgãos eu falarei em outra oportunidade. Agora vou me ater apenas aos edemas visíveis na pele.

Ao contrário do que se possa imaginar, os nossos vasos sanguíneos não são impermeáveis e apresentam poros que permitem a saída e entrada de células, bactérias, proteínas e água.

O inchaço ocorre quando há um excesso de saída de líquido para um tecido. Na verdade o excesso de água vai para o interstício, que o espaço existente entre as células dos tecidos.

Quando ocorre uma inflamação, os vasos sanguíneos ficam mais permeáveis para facilitar a chegada das células de defesa ao local da infecção ou trauma ( leia: O que é o pus ? O que é um abscesso? O que é uma inflamação? ). Com o alargamento dos poros, há um maior extravasamento de líquidos para os tecidos ao redor.

O processo de formação de edema em um trauma ou infecção é fácil de entender e está detalhadamente explicado no link acima. O problema é que o edema pode se formar em várias outras situações.

Existem outros três mecanismos para formação do edema além do aumento da permeabilidade dos vasos:

1.) Aumento da pressão dentro das veias e capilares. Esse aumento nada tem a ver com hipertensão, que é a elevação da pressão arterial. Não custa lembrar que as artérias levam os sangue do coração aos órgãos e tecidos enquanto as veias fazem o caminho inverso, trazem de volta sangue dos tecidos para o coração.

O aumento da pressão venosa ocorre quando há algum tipo de obstrução, mesmo que parcial, ao fluxo sanguíneo venoso. Damos o nome de aumento da pressão hidrostática, ou seja, da pressão que o volume de líquido dentro do vaso faz sobre a parede do próprio.

Varizes
Varizes
Um conhecido exemplo são as varizes nas pernas. Varizes são veias defeituosas que apresentam dificuldade em levar o sangue de volta ao coração. É bom destacar que as veias das pernas precisam agir contra a gravidade, e quando há algum defeito neste sistema, ocorre um represamento de sangue nos membros inferiores. O sangue acumulado nas veias, aumenta a pressão dentro das mesmas e causam extravasamento de líquidos para o tecido subcutâneo. Este quadro é chamado de insuficiência venosa dos membros inferiores (leia: VARIZES | Causas e Tratamento).

Outro mecanismo semelhante ocorre na insuficiência cardíaca, onde um coração fraco não consegue bombear o sangue de modo eficaz, novamente favorecendo o represamento do mesmo no membros inferiores.

Tanto na insuficiência cardíaca quanto na insuficiência venosa dos membros inferiores, o edema surge e piora quando o paciente fica muito tempo em pé e tende a desaparecer após algumas horas deitado, quando a gravidade não exerce força contrária.

Um dos sinais típicos do edema nas pernas é o cacifo ou sinal de Godet, que é a presença de um pequeno afundamento na pele à digitopressão (foto abaixo). É um sinal de excesso de líquido no tecido subcutâneo.

EDEMA - CACIFO
EDEMA - CACIFO

Em algumas doenças, principalmente de origem renal, ocorre um acumulo de sódio (sal) no corpo. Esse excesso de sal aumenta a quantidade de água corporal, que por consequência aumenta não só a pressão arterial, mas também a pressão venosa, favorecendo o aparecimento de inchaços ( leia: SAL E HIPERTENSÃO)

Os dois mecanismos descritos anteriormente (permeabilidade vascular e aumento da pressão venosa) são causas de edemas localizados, ou nas pernas ou no local acometido por trauma ou inflamação. No caso da retenção de sal, o edema costuma ser mais difuso.

2.) Um outro mecanismo para a formação dos inchaços, é a diminuição da viscosidade sanguínea, chamada de pressão oncótica, e é dada principalmente pela concentração de proteínas no sangue.
Enquanto que o aumento da pressão dentro das veias favorece o extravasamento de líquidos, a pressão oncótica faz o trabalho inverso. Portanto, a formação dos edema é um balanço entre a pressão hidrostática e a pressão oncótica.

Quando se tem alguma doença que diminua as proteínas sanguíneas (a principal é a albumina), o paciente tende a formar edemas, mesmo que a pressão dentro das veias seja normal. Neste caso o edema é generalizado, já que a falta de proteína ocorre por todo o corpo.

Quando o edema ocorre de modo difuso, damos o nome de anasarca. A doença característica deste tipo de edema é a cirrose. O principal produtor de albumina do corpo é o fígado. Quando este para de funcionar corretamente, reduz-se a síntese de proteínas e consequentemente a pressão oncótica. O resultado final é a anasarca.

ascite
Ascite
Um tipo de edema típico da cirrose, e que faz parte da anasarca, é a ascite (leia: O QUE É UMA ASCITE?), que ocorre pelo extravasamento de líquido para dentro da cavidade abdominal (foto abaixo). Também pode ocorrer na insuficiência cardíaca avançada. A ascite apresenta dois mecanismos: ocorre tanto pela falta de albumina como pelo aumento da pressão nas veias do fígado, comum na cirrose.

Outra doença que pode causar edemas difusos e ascite é a síndrome nefrótica, que nada mais é que uma doença renal onde ocorre perda de proteínas na urina (leia: PROTEINÚRIA, URINA ESPUMOSA E SÍNDROME NEFRÓTICA).

Na verdade, qualquer doença crônica grave pode inibir a produção de albumina pelo fígado e causar edema.

Linfedema
Linfedema
3.) Outro tipo edema, esse menos comum, é o de origem linfática. É chamado de linfedema e ocorre por obstrução dos vasos linfáticos. Ocorre na elefantíase, nos cânceres, na obesidade mórbida e nos membros superiores de doente que fazem mastectomia e retirada dos gânglios da axila. Na insuficiência venosa grave e não tratada, pode ocorrer também linfedema associado.

O linfedema não costumar ter cacifo, é mais deformante que o edema venoso e pode ser bastante assimétrico.

Muitas vezes os edemas são causados por mais de um mecanismo.

Causas de edema:

1.) Aumento da pressão hidrostática e/ou retenção de sódio
2.) Diminuição da pressão oncótica
3.) Aumento da permeabilidade vascular
4.) Linfedemas
Edema sem causa aparente (edema idiopático)

Existe um tipo de edema que ocorre principalmente em mulheres jovens e sadias, normalmente associado ao período menstrual. Também está associado a obesidade e depressão. Não há causa aparente.

O edema costuma ser cíclico e muitas mulheres tomam diuréticos próximo ao período menstrual para alívio dos sintomas. Na verdade, tomar diurético para esse tipo de edema só PIORA o quadro. Uso crônico de diurético sem indicação é uma causa de edema por mais paradoxal que isso possa parecer. (leia: PARA QUE SERVEM OS DIURÉTICOS ?)

O diurético mal indicado aumenta a retenção de sódio, principalmente nos intervalos entre as tomadas. O doente acaba ficando dependente do remédio e não consegue estabelecer uma ligação causal com o diurético. Na verdade, o paciente acha que só o diurético alivia seu edema. Quando se suspende o diurético, ocorre uma piora do edema, o que assusta e faz com se retorne o medicamento. Após algumas semanas sem diurético, o edema regride sozinho.

Portanto, não se usa diuréticos em pessoas saudáveis com pequenos edemas nos membros inferiores, principalmente se associados ao período menstrual. O melhor é reduzir o consumo de sal, suspender drogas que possam causar edemas como Nifedipina, amlodipina, rosiglitazona Anti-inflamatórios e minoxidil. Naqueles com excesso de peso, emagrecer é necessário.

Um tipo de edema comum na prática clínica é o que ocorre em doente com longa internação, principalmente em UTI (leia: ENTENDA O QUE ACONTECE COM PACIENTES NO CTI (UTI)).

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SINTOMAS DO INFARTO AGUDO DO MIOCÁRDIO

Aprenda a identificar os sintomas do infarto agudo do miocárdio, saiba quais são as outras causas de dor no peito e o que é a angina.

Após a conclusão deste texto, não deixe de ler: INFARTO DO MIOCÁRDIO | Causas e prevenção.

Dor no peito é o sintoma que mais assusta e que mais leva os pacientes a procurar um serviço de emergência. O medo de se ter um infarto é tão grande que até jovens sem nenhum fator de risco procuram um hospital por causa de desconforto no peito.

Mas como saber se a sua dor no peito é infarto ou não?

Na verdade, não existe uma resposta definitiva para a pergunta acima. O que nós médicos fazemos é avaliar diversas variáveis clínicas como características da dor, idade e doenças associadas, para decidir se a dor é de alto ou baixo risco.

Várias doenças, que não são de origem cardíaca, podem se apresentar como dor no peito:
Entre as doenças cardíacas ainda temos:
  • Pericardite (inflamação do pericárdio, membrana que envolve o coração)
  • Endocardite (infecção das válvulas do coração)
  • Estenose mitral ou aórtica (aperto da válvula mitral ou aórtica)
  • Arritmias
  • Angina
  • Infarto agudo do miocárdio
Antes de seguir com os sintomas do infarto, é importante explicar o que é angina. Angina de peito é a dor ou desconforto que ocorre quando o músculo do coração não recebe o suporte adequado de sangue. É uma dor tipicamente de isquemia (sugiro a leitura do texto AVE / AVC (acidente vascular encefálico/cerebral) para entender a diferença entre isquemia e infarto).

Imagine que um paciente tem uma obstrução parcial nas artérias coronárias. Quando está em repouso nada sente porque a demanda por sangue está baixa neste momento. Porém, quando se faz um esforço físico, os batimentos cardíacos aceleram e há uma necessidade de aumentar o aporte de sangue para o coração. Como existe uma obstrução ao fluxo, este sangue extra não chega na quantidade necessária, e na falta de sangue e oxigênio, ocorre a isquemia.

Existem 3 tipos de dor anginosa:

- Angina estável : É aquela causada pelo esforço físico. A obstrução não é grande o suficiente para causar dor em repouso. A dor dura poucos minutos e alivia alguns minutos após o repouso.

-Angina instável: É aquela que ocorre com mínimos esforços ou mesmo em repouso. A obstrução é grande o suficiente para que o fluxo de sangue seja inferior ao necessário em situações basais.

- Infarto agudo do miocárdio: É a obstrução total do fluxo, causando necrose (morte) do tecido e das células cardíacas que deveriam estar sendo irrigados pela artéria obstruída.

Quanto maior a área do coração privada de sangue, mais extenso é grave é o infarto. Infartos fulminantes são aqueles onde uma artéria importante é obstruída, levando a necrose de uma grande área de músculo cardíaco e como resultado, causando parada cardíaca (leia: INFARTO FULMINANTE | Causas e sintomas).

E como é a dor do infarto?

Tipicamente se apresenta como uma dor no meio ou à esquerda do peito, tipo aperto, pressão ou peso, muitas vezes com irradiação para o braço esquerdo, mandíbula e/ou costas. A dor é desencadeada por esforço físico, estresse emocional ou após uma refeição exagerada.

A angina do infarto apresenta piora gradual e é normalmente acompanhada de suores, falta de ar, palidez, inquietação e por vezes, náuseas e vômitos. Ao contrário da angina estável, no infarto, a dor dura vários minutos e não há alívio com repouso.

O problema reside naqueles doentes que desenvolvem infarto com uma apresentação atípica. Isto ocorre mais comumente em idosos, mulheres e diabéticos. Muitas vezes não há dor e os sintomas se resumem a cansaço intenso, náuseas ou um desconforto inespecífico no peito/abdômen. São os pacientes que mais demoram a procurar atendimento médico e por isso, os que têm maior chance de morrer.

Um fator muito importante no diagnóstico do infarto é a história clínica do doente. Diabéticos, obesos, pessoas com mais de 45 anos, hipertensos, com colesterol alto, com insuficiência renal ou tabagistas apresentam maior risco de infarto. Qualquer sintoma diferente deve levantar suspeitas e ser investigado para doença cardíaca. Nestes pacientes o grau de suspeição deve ser sempre elevado

Para ler sobre os principais fatores de risco para infarto:
- DIABETES MELLITUS | Diagnóstico e sintomas
- OBESIDADE E SÍNDROME METABÓLICA | Definições e consequências
- HIPERTENSÃO ARTERIAL | Sintomas e tratamento
- COLESTEROL HDL | COLESTEROL LDL | TRIGLICERÍDEOS
- INSUFICIÊNCIA RENAL CRÔNICA | Sintomas e tratamento
- MALEFÍCIOS DO CIGARRO | Tratamento do tabagismo

Quais os sinais que indicam outra causa para a dor no peito?

Toda dor no peito deve ser encarada como potencialmente grave, porém, algumas características nos fazem pensar em outras causas que não infarto. Chamamos de dor atípica toda aquela que não apresenta as características descritas acima.

Uma dor no peito que piora ao toque ou à compressão local, à rotação do tronco ou à mobilização dos braços costuma indicar patologias músculo esqueléticas. Angina é uma dor que não piora quando se aperta em algum lugar do peito.

Sintomas do infartoSintomas do infarto

Dor que não apresenta relação íntima com esforço físico, ou seja, não piora ao correr, subir escada ou carregar algum peso também costuma indicar outra causa.

Dor em queimação, associado a azia e eructações, normalmente presente há várias semanas e de intensidade leve/moderada, não associado a esforço físico, costuma indicar patologia gastroesofágica.

A presença de febre, tosse com expectoração, chiado no peito ou piora da dor ao respirar fundo, sugere patologia do pulmão.

Pessoas jovens e sem fatores de risco, principalmente mulheres, podem apresentar quadros de ansiedade / pânico, que se apresentam como dor no peito. Normalmente são pessoas com problemas pessoais, antecedentes de depressão, que choram durante a consulta, apresentam tremores nas mãos e muitos sintomas associados a dor no peito. O doente quando está infartando se queixa de dor no peito. Nas crises de ansiedade o paciente se queixa do coração, mas também de tontura, formigamento na boca, fraqueza nas pernas, dor de barriga, etc...

Porém, nada impede que pessoas ansiosas, com lesões musculares, asmáticas ou com gastrite possam infartar. O ideal é deixar o médico decidir se a dor no peito é angina/infarto ou não. Isso vale principalmente nas pessoas que possuam fatores de risco.

Se você quiser mais sobre dor no peito e suas causas, temos um  texto específico sobre o assunto: DOR NO PEITO | Principais causas e sintomas

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OLHO SECO E FALTA DE LÁGRIMAS

Secura nos olhos, falta de lágrima, sensação de areia nos olhos, incômodo e queimação podem ser sinais da síndrome do olho seco.

Já faz alguns anos a medicina reconheceu o papel crucial da lágrima para a saúde ocular. A lágrima, ou melhor, o filme lacrimal, além da função óbvia de lubrificação, fornece nutrientes e oxigênio para superfície ocular, tem função antibacteriana e até visual.

A lágrima é composta por 3 camadas. Uma camada mais externa, composta por lipídeos e produzida pelas glândulas de meibomius existentes na margem palpebral (foto abaixo), uma outra aquosa produzida pelas glândulas lacrimal principal e acessórias e uma mais interna produzida por células distribuídas na superfície ocular. Cada uma tem um função especifica e qualquer alteração em uma dessas 3 camadas compromete o filme lacrimal como um todo.

Olho seco
A produção lacrimal sofre influência de fatores hormonais (estrogênio e androgênio p.ex) e também de alguns estímulos externos, como poluição, alérgenos, trauma e emoção.

Uma doença cada vez mais comum é a síndrome do olho seco. O olho seco é uma doença crônica, caracterizada pela diminuição da produção da lágrima ou deficiência em alguns de seus componentes, ou seja, pouca quantidade e/ou má qualidade da lágrima.

Estima-se que quase 14% dos idosos apresentem sintomas de olho seco e que 10% utilizem lágrimas artificiais.

Mulheres na menopausa, usuários de lente de contato, pessoas com doença auto-imune (artrite reumatóide, síndrome de sjögren, lúpus) ou que usam alguns medicamentos (antidepressivos, anti-histamínicos, diuréticos, beta-bloqueadores, tranquilizantes entre outros) estão mais propensos a sofrer dessa síndrome.

Pessoas que trabalham com computador especialmente em ambientes com ar condicionado são alguns dos pacientes mais frequentes nos consultórios oftalmológicos. Crianças que brincam muito com vídeo games também relatam esses sintomas.

Geralmente, o quadro é leve e inclui sensação de areia, queimação, hiperemia (vermelhidão), fotofobia (intolerância a luz) e embaçamento. Esses sintomas costumam piorar no final do dia, nas condições de baixa umidade (ar condicionado, vento etc.) ou após períodos prolongados de leitura, televisão etc.

Lacrimejamento excessivo é um sintoma frequente, o que confunde o paciente. Na verdade, é um lacrimejamento reflexo do olho, na tentativa de combater uma superfície ocular doente.
Casos mais graves causam uma grande morbidade e podem levar a comprometimento da córnea e até a perda da visão.

Pacientes submetidos à cirurgia refrativa também podem apresentar, ainda que passageiro, um quadro de olho seco no pós operatório e isso deve ser avaliado e discutido antes da cirurgia.
O diagnóstico é feito pela história clínica e por exames de avaliação da lágrima relativamente simples e que podem ser feitos no consultório médico, como teste de schirmer, teste do corante de rosa bengala e tempo de rotura do filme lacrimal (BUT).

Olho seco - Teste de Schirmer
Como os sintomas são inespecíficos, deve-se fazer o diagnóstico diferencial com outras doenças como alergia ocular, conjuntivites crônicas, blefarite, episclerite etc.

O tratamento é variado e complexo, nem sempre eficaz e deve ser individualizado para cada caso. É importante tentar diferenciar em qual das 3 camadas da lágrima há a alteração inicial pois isso influencia o tratamento.

Lágrimas artificiais das mais variadas composições, anti-inflamatórios tópicos e orais, imunossupressores e até cirurgias (como oclusão dos orifícios de drenagem lacrimal) podem ser utilizados.

A suplementação alimentar com ácidos graxos essências (Omega 3) presente nos peixes (salmão, sardinha) e no óleo de linhaça são medidas úteis para quase todos os pacientes.

Este texto é de autoria do Dr. Renato Souza Oliveira
Oftalmologista formado pela UFRJ e com pós-graduação na UNIFESP
Contato pelo email:
renatocso@bol.com.br

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SINTOMAS DA TIREOIDE

Os hormônios da tireoide são essenciais para o desenvolvimento do sistema nervoso das crianças e para o controle das atividades metabólicas nos adultos, afetando a função de praticamente todos os órgãos do nosso corpo. As doenças da glândula tireoide são das mais comuns da prática médica. Neste texto vamos explicar os sintomas da tireoide e as diferenças entre hipertireoidismo e hipotireoidismo.

Este texto é uma visão geral sobre a tireoide e suas doenças. Após a sua leitura, não deixe também de ler nossos artigos específicos sobre as principais doenças da tireoide para ter informações mais completas sobre este órgão:

- HIPOTIREOIDISMO (TIREOIDITE DE HASHIMOTO)
- HIPOTIREOIDSMO | Perguntas frequentes
- HIPERTIREOIDISMO E DOENÇA DE GRAVES
- NÓDULO DE TIREOIDE | Diagnóstico e como diferenciá-lo do câncer

Vamos esclarecer uma coisa logo no começo, tireoide (ou tiroide) é um órgão e não uma doença. É muito comum ouvirmos as pessoas dizerem que têm tireoide como se isso fosse um problema de saúde. Ora, tireoide todo mundo tem, isto não quer dizer nada. Dizer "eu tenho tireoide" é o mesmo que dizer "eu tenho cérebro" ou "eu tenho fígado" etc... Para haver algum significado é preciso dizer qual o problema que a tiroide apresenta, por exemplo, hipotireoidismo, hipertireoidismo, câncer de tireoide, nódulo na tireoide, etc...

O que é a tireoide?

Sintomas da tiroide
Localização da glândula tireoide
A tiroide (ou tireoide) é uma glândula em formato de borboleta localizada na base do pescoço, à frente da traqueia e logo abaixo da cartilagem tireoide (mais conhecida como pomo-de-adão). A glândula tireoide produz dois hormônios chamados de triiodotironina e tiroxina, mais conhecidos como T3 e T4, respectivamente. Esses hormônios são os responsáveis pelo metabolismo do corpo, ou seja, o modo como o organismo armazena e gasta energia.

Quando a tireoide funciona muito e produz hormônios em excesso, chamamos de hipertireoidismo. Quando funciona pouco ou quando esta foi removida cirurgicamente devido a um tumor, chamamos de hipotireoidismo.

Reforçando o conceito:

- Hipertireoidismo = produção exagerada de hormônios tireoidianos
- Hipotireoidismo = produção insuficiente de hormônios tireoidianos

A falta de hormônios tireoidianos (hipotireoidismo) diminui nosso metabolismo e causa os seguintes problemas:

1. Sintomas da tireoide | Sintomas do hipotireoidismo


- Bócio (veja mais abaixo)
- Astenia
Sintomas tireoide - Bócio
Bócio - Pode ocorrer no hiper e no hipotireoidismo
- Pele seca
- Dor nas articulações
- Síndrome do túnel do carpo (leia: SÍNDROME DO TÚNEL DO CARPO | Sintomas e tratamento)
- Constipação intestinal (prisão de ventre)
- Aumento do colesterol (leia: colesterol HDL, colesterol LDL e triglicerídeos)
- Alterações da menstruação
- Ganho de peso
- Intolerância ao frio
- Perda de cabelo
- Letargia
- Edemas (Inchaços)
- Coma (em casos graves e não tratados)

Para mais detalhes sobre os sintomas do hipotireoidismo, leia: SINTOMAS DO HIPOTIREOIDISMO

Já o excesso de hormônios, chamado de hipertireoidismo, causa:

2. Sintomas da tireoide | Sintomas do hipertireoidismo

Sintomas da tireóide - Hipertireoidismo - proptose
Proptose - sintoma do hipertireoidismo
- Aumento do suor
- Intolerância ao calor
- Proptose do olho (olhos esbugalhados)
- Palpitações e arritmias cardíacas
- Perda de peso
- Aumento da sede e da fome
- Irritabilidade e ansiedade
- Tremores das mãos

O bócio é o aumento de tamanho da tireoide que pode ser notado como um abaulamento na região anterior do pescoço. Pode ocorrer no hipotireoidismo e no hipertireoidismo.

O bócio era um sinal muito comum até o início do século XX devido à deficiência de iodo na alimentação (o iodo é um elemento necessário para a formação dos hormônios tireoidianos). A partir da metade do século passado, o iodo foi adicionado ao sal de cozinha e desde então a sua carência deixou de ser uma causa comum de bócio.

As principais causas de hipotireoidismo e hipertireoidismo são as doenças autoimunes (aquelas em que o organismo indevidamente produz anticorpos conta ele mesmo - leia: DOENÇA AUTOIMUNE), a destacar a doença de Graves no hipertireoidismo e a doença de Hashimoto no hipotireoidismo. A remoção cirúrgica da tireoide, ou a sua destruição por iodo radioativo também são causas comuns de hipotireoidismo.

O diagnóstico, em geral, é feito com análises de sangue, através da dosagem dos hormônios TSH e T4 livre. Nos textos sobre hipertireoidismo e hipotireoidismo explicamos com mais detalhes os efeitos do TSH sobre a tiroide.

O tratamento é feito com reposição de hormônios no hipotireoidismo ou com drogas que inibem a produção dos mesmos no hipertireoidismo.

Vérsion en español:  SÍNTOMAS DE LA TIROIDES

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OBESIDADE | Definições e consequências

Saiba o que é a síndrome metabólica e todas as complicações da obesidade.

A obesidade já se tornou uma das mais importantes epidemias do mundo moderno. Engana-se quem a trata apenas como um problema estético ou de aceitação social. A obesidade é uma doença com mortalidade proporcional ao grau de sobrepeso. Quanto maior, mais grave.

Vamos iniciar uma série de artigos sobre a obesidade, explicando suas consequências e opções de tratamento. Este artigo é a primeira parte da série, que ainda é composta pelos seguintes temas:

I) OBESIDADE | Definições e consequências
II)
III) TRATAMENTO DA OBESIDADE | Mudanças de hábitos de vida
IV) TRATAMENTO DA OBESIDADE | Dieta para emagrecer
V) TRATAMENTO DA OBESIDADE | Remédios para emagrecer
VI) TRATAMENTO DA OBESIDADE | Cirurgia bariátrica (texto a ser publicado nas próximas semanas)
VII) CIRURGIA PLÁSTICA APÓS GRANDE PERDA DE PESO

Diagnóstico de obesidade 

O método mais usado para avaliar obesidade é o índice de massa corporal (IMC). É um cálculo simples onde dividimos o peso pelo quadrado da altura, ou seja:

IMC = Peso (em quilos) ÷ altura² (em metros) 

Obesidade centralExemplos:
a.) Uma pessoa de 110kg e 1,60m:
- IMC = 110 kg ÷ (1,60m x 1,60m) = 42,96 kg/m²

b.) Uma pessoa de 75kg e 1,80m:
- IMC = 75kg ÷ (1,80m x 1,80m) = 23,14 kg/m²

A classificação baseada no IMC é a seguinte:

Baixo peso = IMC menor que 18,5 Kg/m²
Peso normal = IMC entre 18,5 e 24,9 Kg/m²
Sobrepeso = IMC entre 25 e 29,9 Kg/m²
Obesidade grau I = IMC entre 30 e 34,9 Kg/m²
Obesidade grau II = IMC entre 35 e 39,9 Kg/m²
Obesidade mórbida = IMC maior que 40 Kg/m²

O exemplo "a" se enquadra no diagnóstico de obesidade mórbida, enquanto que o exemplo "b" é de uma pessoa com peso normal.

Obs: a fórmula acima não se aplica a pessoas com grande massa muscular, pois a mesma costuma enquadrá-las na categoria de sobrepeso, ou até obesidade, mesmo apresentando baixo percentual de gordura no corpo. 

Use as calculadoras abaixo para calcular seu IMC e seu peso ideal:


Calculadora IMC
Peso: kgs
Altura:
m
cm

Dieta e Saude

Calculadora Peso Ideal
Sexo:
masc

fem
Altura:
m
cm

Dieta e Saude

Existem hoje no mundo 1,6 bilhão de pessoas com sobrepeso e 400 milhões de obesos. A principal causa é o sedentarismo associado a uma alimentação rica em calorias. Apenas um percentual muito pequeno dos obesos apresenta alguma doença que os predispõe a tal situação.

Alguns medicamentos podem levar ao ganho de peso, os principais são:

- Antipsicóticos: Olanzapina, Clozapina e Risperidona
- Antidepressivos: Amitriptilina e Paroxetina (leia: ANTIDEPRESSIVOS: Escitalopram, Citalopram, Fluoxetina, Sertralina e Paroxetina)
- Antiepiléticos: Ácido Valpróico e Carbamazepina
- Corticóides (leia: INDICAÇÕES E EFEITOS DA PREDNISONA E CORTICÓIDES )

É importante ressaltar que existe diferença entre ganhar peso e ficar obeso. Não se pode colocar a culpa de um IMC de 35 kg/m2 nas drogas descritas acima.

Todas as pessoas com IMC maior que 25 kg/m² devem ter a circunferência abdominal medida. Homens e mulheres com cintura maior que 102 cm e 88 cm respectivamente, apresentam maiores riscos de desenvolver doenças relacionadas a obesidade.

Obesidade central
Obesidade central
A chamada obesidade central é a que traz maior risco de doenças cardiovasculares e morte precoce. Pessoas com acúmulo de gordura na região abdominal apresentam a chamada gordura visceral, que é o excesso desta em volta dos órgãos. O acúmulo de gordura predominantemente nas coxas e quadris oferece menor risco, pois apresenta menor acometimento dos órgãos internos. É o corpo em forma de maçã versus o corpo em forma de pera.

Uma outra maneira de avaliar a gordura central é através da relação entre o comprimento da cintura e do quadril. Valores maiores que 1 em homens e 0,8 em mulheres indicam maior risco de doenças relacionadas a obesidade.

Cintura
---------- = Maior que 1 em homens ou maior que 0,8 em mulheres
Quadril

A partir de 35 Kg/m² essas medidas perdem valor já que todos apresentam maior incidência de doenças.

Uma das consequências é o desenvolvimento da síndrome metabólica, também chamada de síndrome x.

O que é a síndrome metabólica?

É considerado portador desta síndrome quem possui pelo menos 3 dos 5 critérios abaixo:
  • Circunferência abdominal maior que 102 cm em homens e 88 cm em mulheres
  • Níveis de triglicerídeos sanguíneos maiores que 150 mg/dl
  • Colesterol HDL (colesterol bom) menor que 40 mg/dl em homens e 50 mg/dl em mulheres
  • Pressão arterial maior que 130 /85 mmHg ( leia sobre valores da pressão arterial em Hipertensão)
  • Níveis de glicose em jejum maiores que 100 mg/dl Pessoas obesas e/ou portadoras da síndrome metabólica apresentam maiores riscos de desenvolver diabetes e doenças cardiovasculares.

Pessoas com excesso de peso apresentam maior morbidade (existência de doenças associadas) e maior mortalidade do que pessoas com peso normal. A simples presença de sobrepeso já é suficiente para reduzir a expectativa de vida. O risco de morte chega a ser 3x maior em obesos do que em pessoas com IMC normal.

Ao contrário do que se possa pensar, o tecido adiposo (gorduroso) não é simplesmente um monte gordura inativa. É na verdade um tecido metabolicamente ativo produtor de enzimas que causam resistência ao funcionamento da insulina, elevação da pressão arterial, aumento do depósito de colesterol nos vasos e outras ações que elevam a morbidade do doente obeso.

Para se ter uma idéia dos malefícios do sobrepeso, além da síndrome metabólica, as seguintes doenças estão associadas a obesidade:

- Hipertensão (leia: SINTOMAS E TRATAMENTO DA HIPERTENSÃO (PRESSÃO ALTA))
- Diabetes tipo 2 (leia: DIAGNÓSTICO E SINTOMAS DO DIABETES MELLITUS)
- Colesterol alto (leia: COLESTEROL BOM (HDL) E COLESTEROL RUIM (LDL))
- Infarto do miocárdio (leia: SINTOMAS DO INFARTO AGUDO DO MIOCÁRDIO E ANGINA)
- insuficiência cardíaca (leia: INSUFICIÊNCIA CARDÍACA - CAUSAS E SINTOMAS)
- Arritmias (leia: PALPITAÇÕES, TAQUICARDIA E ARRITMIAS CARDÍACAS)
- AVC (leia: ENTENDA O AVC - ACIDENTE VASCULAR CEREBRAL)
- Trombose venosa
- Insuficiência venosa e varizes dos membros inferiores (leia: VARIZES | Causas e Tratamento)
- Demência
- Incontinência urinária (leia:INCONTINÊNCIA URINÁRIA | Causas, tipos e diagnóstico)
- Doença do refluxo gastro-esofágico (leia: HÉRNIA DE HIATO E REFLUXO GASTROESOFÁGICO)
- Câncer de esôfago, cólon, rins, fígado, pâncreas e linfoma (leia: CÂNCER (CANCRO) - SINTOMAS E DEFINIÇÕES)
- Osteoartrite e lesões articulares, principalmente joelhos (leia: ARTRITE e ARTROSE | Sintomas e diferenças)
- Glomerulonefrite e Síndrome nefrótica (doença das células renais) (leia: O QUE É UMA GLOMERULONEFRITE ?)
- Insuficiência renal (leia: VOCÊ SABE O QUE É CREATININA ?)
- Cálculo renal (leia: CÁLCULO RENAL (PEDRA NOS RINS))
- Apnéia do sono
- Síndrome do túnel do carpo (leia: SÍNDROME DO TÚNEL DO CARPO | Sintomas e tratamento)
- Crescimento de pêlos nas mulheres
- Gota (leia: GOTA E ÁCIDO ÚRICO)

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