Como se pega AIDS? (Formas de contágio do HIV)


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Revisado e atualizado em maio 3, 2026
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O que é a AIDS?

A AIDS ou SIDA é uma doença infectocontagiosa transmitida por um vírus chamado HIV (vírus da imunodeficiência humana). Para se ter AIDS, é preciso estar contaminado com o vírus HIV; não existe a possibilidade de alguém ter AIDS sem ser HIV positivo.

Só é possível contrair o vírus HIV de uma pessoa infectada, ou seja, o vírus precisa ser transmitido de uma pessoa para a outra. Não se “pega AIDS” tendo relações sexuais com alguém que não tenha o vírus, do mesmo modo que não é possível “pegar AIDS” se masturbando sozinho. Também não há transmissão do HIV por meio de transfusão de sangue que não esteja contaminado nem do contato com agulhas que não tenham sido utilizadas em pacientes com HIV.

As informações acima podem parecer banais, mas muitas pessoas ainda acreditam que o HIV pode ser transmitido apenas pelo ato sexual, independentemente da situação de saúde do(a) parceiro(a).

É importante também diferenciar o HIV da AIDS. HIV é o vírus, enquanto AIDS é a doença causada por esse vírus. É possível ser portador do HIV e não ter AIDS, já que algumas pessoas são portadoras assintomáticas do vírus. Na verdade, a maioria das pessoas passa vários anos infectadas com o HIV antes de desenvolver qualquer sintoma da AIDS. A média de tempo entre a contaminação e o desenvolvimento da doença é de 10 anos.

Formas de transmissão do vírus HIV

Para se adquirir o HIV, o vírus precisa entrar na circulação sanguínea. A pele é o nosso principal organismo de defesa, funcionando como uma armadura, impedindo que germes do ambiente tenham acesso ao interior do nosso organismo. Caso não existam feridas, o simples contato do sangue ou de outros fluidos contaminados com a pele íntegra não é suficiente para a transmissão do HIV.

Se a pele é uma ótima barreira, o mesmo não podemos dizer das mucosas, como a glande do pênis, ânus e a mucosa da vagina, que apresentam poros que possibilitam a invasão do HIV para dentro do organismo. A mucosa oral também não é uma barreira tão eficiente porque frequentemente apresenta pequenas feridas.

Portanto, qualquer situação em que fluidos contaminados pelo HIV consigam entrar em contato com a corrente sanguínea, há risco de contaminação.

Na prática, quase todos os casos de transmissão do HIV se resumem às seguintes situações:

  • Relação sexual desprotegida com alguém contaminado.
  • Receber transfusão sanguínea de sangue contaminado.
  • Acidentes com agulhas infectadas.
  • Compartilhamento de agulhas para administração de drogas intravenosas.
  • Transmissão da mãe para o feto na gravidez.

Falaremos rapidamente sobre cada uma delas.

Via sexual

A principal via de transmissão do HIV é através das mucosas dos órgãos sexuais. Toda relação sexual causa microtraumas nestas mucosas, muitas vezes invisíveis ao olho nu, o que facilita a contaminação pelos vírus que estão presentes nas secreções genitais. Os fluidos que contêm o vírus são as secreções vaginais, o sêmen, o líquido pré-seminal (aquele transparente que sai do pênis antes da ejaculação) e, obviamente, o sangue.

O sexo anal é a forma que apresenta maior risco de contaminação. A mucosa do ânus e do reto é mais fina que a vaginal e, por não apresentar lubrificação natural, está mais sujeita a pequenas lesões durante o ato sexual. Quanto mais ferida estiver a mucosa, mais fácil é para o vírus invadi-la.

O sexo oral ativo (receber o pênis ou a vagina na boca) também pode transmitir HIV, principalmente se houver lesões na cavidade oral, como gengivites, aftas, feridas, etc. Algumas dessas lesões podem ser pequenas o suficiente para passarem despercebidas para a maioria das pessoas, mas não o suficiente para impedir a penetração do vírus presente nas secreções genitais.

Apesar de ser a via mais comum de transmissão do HIV, o risco real de transmissão pelo sexo é bem mais baixo do que a maioria das pessoas imagina:

  • O risco de transmissão para cada relação anal receptiva é de 1,38%.
  • O risco de transmissão para cada relação anal insertiva é de 0,62% para os homens que não são circuncidados e 0,11% para os homens circuncidados (leia: Circuncisão: riscos e Benefícios).
  • O risco de transmissão para cada relação vaginal receptiva é de 0,08%.
  • O risco de transmissão para cada relação vaginal insertiva é de 0,04%.
  • O risco de transmissão para cada relação sexual oral é menor que 0,01%.

Os valores acima podem parecer muito baixos, mas eles são apenas uma média e se referem a uma única relação isolada.

O risco de transmissão vai se tornando progressivamente maior conforme o casal vai tendo mais relações. Por exemplo, ao longo do tempo, um homem homossexual que tenha relações com frequência com um parceiro HIV positivo tem um risco de 40% de acabar sendo contaminado se for passivo e de 22% se for ativo.

O risco de transmissão através do sexo é maior quando a pessoa contaminada apresenta uma carga viral elevada. Quando o vírus encontra-se em grande quantidade no sangue, ele inevitavelmente também estará em abundância nas secreções genitais. Por outro lado, portadores do HIV que estão em tratamento e apresentam carga viral negativa apresentam risco muito baixo de transmissão.

A presença concomitante de outra doença sexualmente transmissível, como sífilis, herpes ou gonorreia, aumenta o risco de transmissão ou contágio pelo HIV.

O melhor modo de prevenir a transmissão do HIV através das relações sexuais é com o uso de camisinha, que reduz o risco em mais de 80%. A associação entre o uso correto dos medicamentos antirretrovirais e a camisinha torna praticamente nula a chance de transmissão do HIV, seja qual for a forma de sexo empregado.

Transfusões sanguíneas

Receber transfusões de sangue, produtos sanguíneos ou transplantes de órgãos contaminados pelo HIV é disparadamente a forma mais perigosa de adquirir o vírus. O risco de transmissão ao ser transfundido com uma única bolsa de sangue contaminada é de 92%.

Essa forma de transmissão era muito comum no início da epidemia de AIDS, na década de 1980, mas hoje em dia é rara, devido aos testes rigorosos pelos quais o sangue doado é submetido.

Compartilhar agulhas contaminadas

Atualmente, cerca de 7% dos casos novos de HIV surgem em usuários de drogas intravenosas que compartilham agulhas.

O risco de contaminação ao utilizar uma agulha infectada é de 0,6%. Novamente, a carga viral e a repetição do comportamento de risco tornam o risco de contaminação maior.

Acidentes com agulhas contaminadas

Profissionais de saúde que lidam com pacientes HIV positivos podem se contaminar através de acidentes com agulhas contaminadas. O risco de contaminação para acidentes que perfuram a pele é de 0,23%. A carga viral do paciente é o fator mais importante no risco.

Transmissão da mãe para o feto durante a gravidez

A passagem do HIV da mãe para o filho durante a gravidez, parto ou amamentação também já foi uma via muito comum de transmissão.

Atualmente, porém, a sorologia para HIV faz parte de todo pré-natal e o tratamento da mãe contaminada com antirretrovirais reduz o risco de transmissão para menos de 1%. Os poucos casos ainda registrados são de mulheres que não fizeram pré-natal adequado ou que não tomaram a medicação corretamente.

Situações que não transmitem o vírus HIV

Fora as cinco vias discutidas acima, praticamente não há outras formas de transmissão do vírus HIV. Existem relatos isolados de transmissão através de mordidas ou de contato de sangue contaminado com os olhos, mas esses casos são muito raros.

É importante saber que os seguintes fluidos corporais não transmitem o HIV (a não ser que haja sangue misturado):

  • Saliva.
  • Suor.
  • Lágrima.
  • Vômitos.
  • Fezes.
  • Urina.
  • Secreções nasais.

Nenhum dos fluidos acima apresenta concentrações do vírus em quantidades relevantes para haver transmissão.

Também não se contrai AIDS através de:

  • Talheres ou pratos.
  • Picadas de inseto.
  • Abraços ou aperto de mão.
  • Vasos sanitários ou banheiro público.
  • Piscina pública.
  • Praia.
  • Doação de sangue.
  • Beijo. Existe um risco pequeno no caso de beijo na boca se ambos possuírem lesões sangrantes na mucosa oral, situação que, convenhamos, é pouco provável. Beijos na bochecha ou nos seios não transmitem HIV.
  • Masturbação ativa ou passiva (exceto se o dedo do parceiro(a) apresentar uma ferida aberta).

O HIV sobrevive muito pouco tempo no ambiente, por isso, histórias sobre pessoas que colocam sangue contaminado no Ketchup, agulhas em telefones públicos e cadeiras de cinema são apenas mitos que circulam pela Internet. Além disso, o vírus, quando exposto a sabão ou outros produtos químicos, também morre.

Infecção aguda pelo HIV

Chamamos infecção aguda pelo HIV, ou síndrome retroviral aguda, o quadro que ocorre entre 2 a 4 semanas após a contaminação com o vírus.

Os sintomas são semelhantes aos de uma síndrome de mononucleose, com febre, dor de garganta, múltiplas pequenas manchas avermelhadas espalhadas pelo corpo, aumento dos linfonodos (ínguas) e dor de cabeça. O aparecimento de pequenas úlceras no pênis, ânus ou na cavidade oral é bem característico da lesão primária pelo HIV.

Nem todo mundo que se contamina com HIV desenvolverá sintomas da infecção aguda e, em alguns casos, os sintomas são tão discretos que passam despercebidos pelo paciente.

Durante a infecção aguda, a quantidade de vírus na circulação sanguínea encontra-se muito elevada, o que faz com que a transmissão para outras pessoas seja mais fácil nessa fase.

Explicamos a síndrome retroviral aguda em detalhes no texto: Infecção aguda pelo HIV – Síndrome Retroviral Aguda.

Remédios que impedem a transmissão do HIV

Atualmente, os medicamentos que combatem o vírus HIV são tão eficazes que eles também podem ser usados para impedir a transmissão do HIV de uma pessoa para outra. Existem duas estratégias:

Profilaxia pré-exposição (PrEP)

A profilaxia pré-exposição (PrEP) é uma estratégia de prevenção indicada para pessoas HIV-negativas que apresentam risco aumentado de exposição ao vírus. Ela consiste no uso de antirretrovirais antes do contato com o HIV para reduzir a chance de infecção.

No Brasil, a PrEP oral é feita com a combinação de tenofovir + entricitabina. Ela pode ser usada de duas formas: diariamente, para pessoas com exposições frequentes, ou sob demanda, em situações específicas e sob orientação da equipe de saúde.

A PrEP deve ser considerada para pessoas sexualmente ativas em contextos de maior vulnerabilidade ao HIV, levando em conta de forma individualizada as práticas sexuais, o tipo de parceria, a frequência das exposições e a dificuldade de uso consistente do preservativo. A presença de outras infecções sexualmente transmissíveis também pode indicar maior risco.

Em casais sorodiferentes, a PrEP pode ser uma estratégia adicional de proteção. No entanto, é importante lembrar que pessoas vivendo com HIV em tratamento regular e com carga viral indetectável não transmitem o vírus por via sexual.

Quando usada corretamente, a PrEP é altamente eficaz na prevenção da infecção pelo HIV. O preservativo continua sendo recomendado porque também ajuda a prevenir outras infecções sexualmente transmissíveis.

Profilaxia pós-exposição (PEP)

A profilaxia pós-exposição (PEP) é indicada após situações com risco real de contato com o HIV, como violência sexual, relação sexual desprotegida, rompimento do preservativo ou acidente com material biológico potencialmente contaminado.

A PEP deve ser iniciada o mais rapidamente possível, de preferência nas primeiras 2 horas após a exposição. Após 72 horas, ela deixa de estar indicada.

No Brasil, o esquema preferencial atual para PEP contra o HIV é a combinação de tenofovir + lamivudina + dolutegravir, por 28 dias. Em situações especiais, o esquema pode ser modificado pela equipe de saúde.

Além do uso correto dos antirretrovirais por 28 dias, a pessoa exposta deve manter acompanhamento clínico e laboratorial, com repetição da testagem para HIV durante o seguimento e após o término da profilaxia.

Explicamos a profilaxia da AIDS no artigo: Como prevenir a infecção pelo HIV (PrEP e PEP).

Perguntas mais comuns sobre a transmissão do HIV

Quais são as vias de transmissão do HIV mais comuns hoje em dia?

— Sexo desprotegido com pessoas contaminadas.
— Partilha de agulhas contaminadas.
— Acidentes com agulhas utilizadas em pacientes contaminados.

Posso “pegar AIDS” fazendo sexo com uma pessoa não contaminada?

Não se pega o vírus HIV de pessoas que não têm o vírus HIV. Se o seu parceiro(a) não está contaminado(a), não há risco de transmissão. O ato sexual não “cria” o HIV. Do mesmo modo que não se pega sarampo de quem não tem sarampo, não é possível pegar o vírus HIV de quem não tem o vírus HIV.

É possível ter relações desprotegidas com uma pessoa portadora de HIV e não se contaminar?

Sim. A transmissão não ocorre em 100% dos casos. Na verdade, o risco de contaminação em uma única relação é baixo e, na maioria das vezes, são necessárias mais de uma relação desprotegida para que alguém seja contaminado.

É verdade que mulher não transmite HIV para o homem?

Não. Isso é um mito que provavelmente surgiu pelo fato de o risco de transmissão da mulher para o homem ser menor que o do homem para a mulher ou de um homem para outro homem. É possível, sim, que homens se contaminem com HIV tendo relações desprotegidas com mulheres soropositivas.

A camisinha protege 100% contra o HIV?

Não. A camisinha reduz o risco de transmissão em 80%. É importante lembrar que o risco de transmissão em uma única relação sexual é naturalmente muito baixo. Com o uso da camisinha, ele se torna praticamente nulo.

Se o parceiro não ejacular dentro da vagina ou do ânus, ainda assim há risco de transmissão do HIV?

Sim. Não é preciso ejaculação para haver transmissão do HIV.

Qual é a via sexual que traz mais riscos?

O sexo anal é o tipo com maior risco de transmissão do HIV, sendo até 17 vezes maior que no sexo vaginal.

O que traz mais riscos: sexo passivo ou sexo ativo?

O sexo passivo, tanto pela via vaginal quanto anal, traz maior risco de contaminação. Isto não significa, porém, que o parceiro ativo também não corra riscos.

Sexo oral transmite HIV?

Sim. Como há HIV nas secreções da vagina e do pênis, o parceiro(a) que colocar a boca em contato com a genitália do parceiro pode se contaminar, apesar de o risco ser bem baixo.

Como a saliva não contém HIV em quantidades significativas, receber o sexo oral, ou seja, ter o pênis ou a vagina em contato com a boca de outros, não costuma trazer riscos. Estima-se que a chance de contaminação ao receber sexo oral seja de apenas 0,005% por cada relação.

Se eu beijar um HIV positivo que esteja com uma lesão na boca posso ser contaminado?

Existe um pequeno risco de transmissão, mas é preciso haver sangramento visível. Existe somente um caso conhecido no mundo inteiro de transmissão do HIV deste modo.

Se o parceiro tiver uma afta, existe risco de transmissão do HIV pelo beijo?

Se não houver sangramento da lesão, não.

Sexo entre mulheres transmite o HIV?

Sim, apesar de o risco ser bem menor do que com o sexo heterossexual ou homossexual entre homens.

Existe risco de transmissão do HIV através da penetração anal ou vaginal com os dedos?

Muitíssimo baixo. Se o dedo tiver cortes ou feridas, é possível se contaminar. E se o dedo estiver sangrando, é possível transmitir. Porém, não há casos relatados de transmissão por essa via.

É possível a contaminação com o HIV se um mosquito picar uma pessoa infectada e imediatamente depois me picar?

Não, não existe nenhuma hipótese de transmissão do HIV por mosquitos.

É possível transmitir o HIV pelo leite materno?

Sim. O aleitamento materno é uma das vias possíveis de transmissão do HIV da mãe para o filho.

Partilhar brinquedos sexuais, como vibradores e dildos, pode causar transmissão do HIV?

Sim, existe risco. Deve-se utilizar um novo preservativo no objeto a cada troca com o parceiro(a).

É possível “pegar AIDS” em banheiros públicos?

Não. O HIV não sobrevive fora do corpo humano no ambiente.

É possível “pegar AIDS” partilhando lâminas de babear?

Teoricamente, sim. É pouco provável, mas possível, principalmente se a pessoa usar uma lâmina ainda com sangue fresco de uma pessoa contaminada.

É possível pegar HIV de uma pessoa contaminada, mas ainda aparentemente saudável?

Sim. O fato de a pessoa portadora do HIV ainda não ter critérios para AIDS ou qualquer doença aparente não significa que ela não possa transmitir o vírus.

É possível pegar HIV através de tatuagens ou piercing?

Sim. Todo material que penetre a pele deve ser descartável. Se o profissional que faz a tatuagem ou coloca o piercing reutiliza material, há sempre risco de contaminação. Se o material for estéril e descartável, não existe risco.

O sangue de outra pessoa entrou em contato com a minha pele, posso ter sido contaminado?

O contato de sangue com pele íntegra não transmite o HIV. Basta lavá-la com água e sabão. Só existe risco se o sangue entrar em contato com feridas na pele ou mucosas (olho, boca, ânus ou vagina).

É possível pegar HIV através de uma cusparada?

Não.

Tosse ou espirro transmitem HIV?

Não.

Trabalho/moro com uma pessoa portadora do HIV, devo tomar alguma precaução em relação a ela?

Não. A não ser que vocês tenham sexo desprotegido, ela não lhe contaminará, mesmo que vocês se beijem, abracem, utilizem os mesmos talheres, usem o mesmo banheiro, a mesma toalha, dividam a mesma cama, etc.

Preciso lavar as mãos após ter tido contato ocasional com um paciente HIV positivo?

Não.

É possível pegar HIV através de um alimento propositalmente contaminado?

Não. Isto é uma lenda urbana. Sangue no ketchup, sêmen na sopa, água contaminada, etc. O HIV não resiste ao contato com calor ou outras substâncias químicas. Além disso, o HIV é morto pela acidez do estômago. Não existe nenhum relato no mundo inteiro de contaminação pela ingestão do vírus.

Doar sangue pode me contaminar?

Não. Doar sangue não faz ninguém pegar HIV.

Se uma pessoa com HIV tocar no meu pênis, eu posso me contaminar?

Não. O HIV não vive no exterior do corpo. Não há vírus na pele das pessoas.

Já existe vacina que impeça alguém de “pegar AIDS”?

Não, ainda não existe vacina contra o HIV. Mas, conforme explicamos no texto, existem formas de profilaxia com medicamentos, o que, na prática, acaba prevenindo a contaminação.


book Referências bibliográficas


Dúvidas de leitores sobre este tema

Perguntas enviadas por leitores e selecionadas pelo editor por sua relevância para este artigo.

Mais comentários dos leitores

  1. Paulo Henrique

    Doutor, ajudei uma vítima em um acidente de trânsito e ao pegar o celular dela estava com sangue. Na minha mão o sangue estava em pouca quantidade e levei 10 minutos para lavar com água e sabão.

    Ao olhar a minha mão aparenta estar intacta, somente aqueles corinho acima das unhas.

    Não sei se a pessoa tem HIV.

    Na upa não quiseram dar PEP.

    Corro risco?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro (CRM RJ 73009-2) Autor

    Paulo, esse tipo de contato é considerado de baixo risco. Só faria sentido a PEP se o sangue tivesse entrado em contato com alguma mucosa sua, como olhos ou boca. Contato de sangue com pele íntegra não transmite HIV. Eu concordo com a conduta da UPA.

  2. James

    Olá Dr. Receber oral, ou seja, ter o pênis sendo chupado, mesmo não ereto 100 por cento, com camisinha sendo usada desde o início, com o pênis murcho antes, pode transmitir o HIV?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    Muito pouco provável haver transmissão da forma que você descreve.

  3. João Felipe Ribeiro

    O barbeiro me cortou com a maquina de cabelo e sangrou tem risco para hiv? A maquina estava parada a uns 15/25 min sem ser usada ,teria algum perigo? Ele também me cortou com a navalha mas a navalha era nova minha, só fiquei com medo da maquina

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    O risco de transmissão do HIV da forma que você descreveu é praticamente inexistente. O HIV não sobrevive bem fora do corpo humano. Em superfícies como uma máquina de cortar cabelo, o vírus perde sua capacidade de infectar em poucos minutos.

  4. Tania de Almeida

    Boa tarde, doutor, fiz o teste de sífilis no posto de saúde e deu 1 ponto vermelho e o outro vermelho transparente, o que significa?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    Tania, sem ver o teste é difícil ter certeza. O que posso dizer, porém, é que, habitualmente, nos testes rápidos de sífilis feitos em postos de saúde, dois pontos (linhas) geralmente indicam resultado positivo: uma linha de controle (C) e uma linha de teste (T). Mesmo que a linha do teste (T) esteja mais fraca ou transparente, ela ainda pode significar um resultado positivo.

    No entanto, testes rápidos não confirmam o diagnóstico sozinhos. É essencial procurar a unidade de saúde para:
    1. Algum médico ou enfermeiro possa ver o resultado e confirmá-lo.
    2. Sendo mesmo o resultado positivo, fazer exames laboratoriais de confirmação (como VDRL ou FTA-ABS).
    3. Avaliar o início de tratamento, se necessário.
    4. Fazer o rastreamento de parceiros.

    Reforçando: não tente interpretar o teste sozinha. Vá até o posto de saúde para avaliação por um profissional.

  5. Paulo Ricardo

    Dr estou com pequenas feridas no pé ,e pisei descalço em umas manchas de sangue seco em um restaurante, por acaso tem risco de hiv??? Precisa de pep? Tô com muito medoooo

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    O risco de contaminação por HIV nessa situação é praticamente nulo. O HIV não sobrevive por muito tempo fora do corpo, e o sangue seco não transmite o vírus. Além disso, mesmo com pequenas feridas, o contato rápido e superficial com sangue seco no chão não representa risco real de infecção.

  6. James

    Dr, o homem, de cueca, ficar “roçando”, na vagina exposta, nem ereto, sem penetração, tem algum risco a ele?
    E fazer a “espanhola” nos seios da mulher, também tem risco a ele?
    Obrigado.

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    Não.

  7. Henrique

    Boa tarde !!
    Dr pedro pinheiro tive uma relação sexual anal sendo ativo com preservativo com uma pessoa HIV POSITIVA , porém ao ejacular o pênis saiu da camisinha e ficou a ponta presa na entrada do ânus da pessoa corro o risco de me infectar pelo virus hiv por favor estou muito apavorado se possível me responda encarecidamente doutor ,desde já agradeço !!

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    Relação anal com uma pessoa sabidamente HIV positiva é um comportamento de elevado risco. Se houve falha na camisinha, há risco de contaminação. O mais adequado neste caso é procurar um serviço de saúde o mais rápido possível, preferencialmente em até 72 horas após a exposição, para avaliação do risco e, se indicado, início da profilaxia pós-exposição (PEP). A PEP é um tratamento com medicamentos antirretrovirais que reduz significativamente a chance de infecção pelo HIV, desde que iniciada precocemente.

  8. Carlos

    Doutor eu masturbei um homem e ele ejaculou fluído pre-seminal na minha mão e em um dos meus dedos havia uma ferida de cutícula, estou exposto ao risco?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    Muito improvável que haja transmissão dessa forma.

  9. C

    Olá, doutor! Sangue seco após uns 5 minutos em luva pode transmitir hiv?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    Se o sangue já está seco, a transmissão é muito pouco provável.

  10. Henrique Charles

    Dr pedro, bom dia. Sai com uma pessoa e a mesma com o dedo melado de pré sêmen acariciou a parte externa do meu ânus, corro o risco de me infectar pelo virus do hiv nessa situação que ocorreu, estou muito preocupado, desde já agradeço.

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    Da forma que você descreve, até há risco teórico, mas é pouco provável haver transmissão dessa forma.

  11. Lucas

    Dr. uma garota de programa fez um strip-tease, e ela encostou sua genitália ao meus rosto. Porém não houve penetração e minha boca estava fechada durante esse ocorrido. Estou muito preocupado, faz 2 semanas do ocorrido e minha boca apareceu uma afta, creio que seja muita preocupação. Não consigo dormir direito. Devo continuar preocupado e procurar fazer o exame daqui alguns dias?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    Muito pouco provável haver transmissão do HIV dessa forma. Não vejo motivo para preocupação.

  12. maria

    é possível pega hiv usando a mesma lâmina de depilação depois de um dia de uso e lavada ?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    Não. Mas o ideal é não partilhar com outras pessoas esse tipo de utensílio.

  13. Celestino Sonehã

    é possívelo virus de HIV viver no balde de lixo do consultório por muito tempo?
    Tocar no teste feito já há 4 dias, de alguém positiva de HIV pode contaminar?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    Não. O HIV, fora do corpo humano e em condições ambientais normais, se torna inativo ou não infeccioso em questão de minutos a algumas horas. Não é viável falar em dias porque o vírus não permanece infeccioso por esse período de tempo quando exposto ao ambiente.

  14. Maria

    Bom dia Doutor! Parabéns pelo excelente trabalho e obrigado pelo espaço. Gostaria de saber quanto tempo o HIV pode sobreviver fora do corpo, minha dúvida é se alguém colocou sangue propositalmente dentro de um pacote com lenço umedecido, quanto tempo o vírus pode sobreviver nessa condição? Se alguém usar o lenço para higiene íntima pode ter contraído o vírus?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    Em um ambiente como um lenço umedecido, o HIV provavelmente não sobreviveria por muito tempo, provavelmente alguns minutos apenas. A exposição a agentes de limpeza, mudanças de pH, e outros fatores ambientais reduzem a viabilidade do vírus no meio ambiente, que em condições normais não passa de algumas horas.

    Sobre a possibilidade de transmissão do HIV através de um lenço umedecido contaminado com sangue, teoricamente seria necessário que houvesse uma quantidade significativa de vírus viável no momento do contato com uma mucosa ou ferida aberta. No entanto, é importante ressaltar que esse cenário é extremamente improvável e não é uma via reconhecida de transmissão do HIV.

  15. Anderson

    Boa tarde Doutor, parabéns pelo excelente trabalho e dedicação em tirar dúvidas!
    Recebi sexo oral de uma mulher desconhecida, percebi que ela ficava muito tempo passando a língua no prepúcio, se ela estivesse com sangue na língua poderia me infectar? Foi a única situação de risco e fiquei desconfiado das intenções dessa mulher. Tive alguns sintomas gastrointestinal 2 semanas depois com desconforto na região abdominal que durou uns uns 14 dias, 60 dias depois praticamente todos sintomas de uma fase aguda com febre baixa, sudorose noturna, dor de garganta além de cansaço e falta de apetite que persiste por meses, alguns casos de diarréia, testes de terceira geração com 3 resultados negativos, o último com 185 dias, pode ser soroconversão tardia?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    Transmissão por sexo oral é muito incomum. Teria que haver um conjunto de fatores, como lesão no seu pênis, lesão na língua dela, alta carga viral dela… Acho muito pouco provável, ainda mais com 3 testes negativos.

  16. Alonso

    Olá! Parabéns pelo trabalho. Minha pergunta é a seguinte: Saí com uma garota de programa e introduzi o dedo na vagina dela por alguns minutos. Entretanto, ao fim da relação, percebi uma pequena bolha transparente neste dedo ( creio de água, não sei), pois a mesma estava dolorida. Gostaria de saber as chances de contrair HIV nessa situação, considerando que não houve penetração peniana e nem sexo oral.

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    Muito pouco provável.

  17. Daniel

    Olá
    Uma pessoa que receba “fio terra” tem risco de contrair HIV?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    Pouco provável.

  18. João

    Receber masturbação no pênis “handjob” e receber um dedo no ânus e considerado exposição de risco?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    Não.

  19. leo

    “Sim. A transmissão não ocorre em 100% dos casos. Na verdade, o risco de contaminação em uma única relação é baixo e na maioria das vezes, são necessárias mais de uma relação desprotegida para que alguém seja contaminado.”

    Dr. o Sr. disse que não ocorre 100% dos casos mais tem mais ou menos uma porcentagem dos casos que o senhor poderia nos passar, e detalhe tem algum processo que faz inibir nas primeiras horas, ex se lavar ou algo do tipo.

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    O risco de transmissão do HIV durante uma única relação sexual vaginal desprotegida pode variar dependendo de vários fatores, como a presença de outras infecções sexualmente transmissíveis, a carga viral do parceiro infectado, e se o parceiro infectado está ou não em tratamento para o HIV. Em geral, com sexo pela via vaginal, o risco estimado do homem é menor que 1% em uma relação única. Mas esse risco vai aumentando exponencialmente consoante o número de relações que se faz.

  20. Joao Pedro

    Doutor, existe forma de transmitir o virus do HIV ao pegar um objeto sujo de sangue (acredito que estava um pouco seco) e logo depois ir ao banheiro e urinar?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    Não.

  21. João

    Eu recebi um “fio terra ” de uma menina durante a relação. Não parecia haver cortes ou feridas nos dedos dela, porém acredito que poderia estar sujo de fluidos vaginais. Nesse caso existe risco relevante de contaminação?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    Não, risco irrelevante.

  22. Maya

    Bom dia, Dr! Desculpe a insistência, mas eu tive contato com o esperma dele nas minhas mãos! Aparentemente, eu não tinha ferimento algum, nem ele! Mas tenho receio de estar com algum ferimento imperceptível e ter entrado em contato com fluido contaminado! Sendo assim, com essa janela de 40 dias que realizei os exames, posso ficar tranquila quanto ao HIV e demais! Obrigada! Abraços

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    Pode ficar tranquila. O risco de transmissão dessa forma que você descreve é quase nulo. E ainda com um teste negativo após 40 dias não tem sentido nenhum você ficar nervosa. Relaxa, você não se infectou.

  23. Maya

    Bom dia, Dr.! Masturbei um homem de sorologia desconhecida há 40 dias! A princípio, ele nao aprensentava feridas e sangramentos! Minha mao tambem nao tinha feridas aparentes! Tivemos um outro contato há 25 dias, somente beijos! Com 40 dias do primeiro contato, fiz teste HIV 4 geração+P24+ Sífilis e Hepatite! Todos negativos! Posso descartar HIV e demais? Obrigada! Abraços

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    A sua exposição não foi de risco, não há motivo para preocupação.

  24. William

    Não se “pega” AIDS, como você colocou no título, ninguém contrai “a doença já pronta”, mas sim o vírus HIV. Você colocou no texto a informação de que ter HIV não é a mesma coisa que ter AIDS e usa um título desses? Que só colabora para a desinformação, visto que muita gente lê apenas o título, tal atitude é comum, infelizmente. Usar um título desses é típico de um alguém que ainda usa o termo DST ao invés de IST. Toda a doença carrega uma infecção, porém nem toda a infecção se tornará uma doença. Por isso, IST – Infecções Sexualmente Transmissíveis.

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    William, você está se apegando a preciosismos semânticos bobos. Eu faço ampla pesquisa antes de selecionar os termos que utilizarei. “Como se pega Aids” é o termo mais procurado no Google. É assim que a maioria das pessoas procura pelo assunto. É assim que a população fala. Peguei uma gripe, peguei Covid, peguei pneumonia… Usar o registro coloquial em textos não acadêmicos, voltados para população, é completamente aceitável. O objetivo do site é exatamente passar a informação correta em linguagem acessível à maioria.

  25. Julio dias

    Se uma pessoa com HIV estoura uma espinha e sai sangue,logo em seguida lava a mão e depois toca em uma comida a algum risco?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    Não.

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